Aborto e armas dão voto a republicanos em áreas rurais dos EUA

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Publicado segunda-feira, 4 de outubro de 2004 as 15:19, por: cdb

A agricultora e ativista Kathleen Vinehout entende por que temas como o direito à posse de armas e combate ao aborto, defendidos pelo Partido Republicano, ficam mais importantes que a economia ou o sistema de saúde em época de eleição nos EUA, pelo menos em uma série de Estados que vai do Texas até a fronteira com o Canadá.

O norte-americano rural “vota mais em seus valores que em seus interesses”, diz ela. Com a aproximação da eleição presidencial de 2 de novembro, o voto das pequenas cidades e das regiões rurais, que compreendem um quarto da população dos EUA, pode ser crucial.

O republicano George W. Bush conquistou uma grande parcela desse eleitorado no duelo com o democrata Al Gore, em 2000, e pretende repetir o feito. Seu rival, John Kerry, quer reduzir essa vantagem, principalmente em Estados com tradição democrata como Minnesota e Wisconsin e nos Estados indefinidos de Iowa, Missouri e Ohio.

As campanhas de Kerry e de Bush visitaram Estados agrícolas que eram ignorados do passado. Numa pesquisa feita no início de setembro pelo Centro para Estratégias Rurais, uma organização apartidária, os eleitores rurais davam a Bush 13 pontos percentuais de vantagem nas intenções de voto.

Segundo os analistas Anna Greenberg e Bill Greener, Bush conquistou este ano as mulheres rurais e os trabalhadores de baixa renda, “grupos essenciais pressionados tanto por desafios econômicos como por valores sociais conservadores”. Kerry é mais competitivo entre os idosos e os eleitores com formação universitária.

Para Greener, um estrategista republicano, os eleitores rurais “são o único grupo ainda disponível para Kerry” conquistar votos.

Thomas Frank, autor do livro “What’s the Matter with Kansas?” (O que há de errado com o Kansas?), disse que os Estados rurais “votam contra seus próprios interesses econômicos”. A taxa de pobreza rural, hoje em 14,2 por cento, é maior que as taxas urbanas. O mesmo acontece com os índices de renda.

O clima pré-eleição no mundo rural dos EUA não é intranquilo. Boas safras e preços altos no mercado prometem, pelo segundo ano seguido, bons rendimentos para fazendeiros e agricultores.

O senador republicano por Idaho Larry Craig ironiza o “lengalenga” contra os hábitos eleitorais dos Estados rurais. Segundo ele, o norte-americano rural despreza a autoridade externa e prefere o governo local. Ele só se volta para o governo quando “precisa desesperadamente” dele, afirmou o senador.

A geração que ainda se lembra dos programas de apoio do New Deal, nos anos 1930, está morrendo, e os eleitores jovens são cada vez mais céticos com o governo federal.

Vinehout, a ativista agrícola, disse que o aborto é um assunto importante no Meio-Oeste. Os democratas podem aumentar suas chances se falarem sobre assuntos econômicos, afirmou.

– Estou votando estritamente pela questão do aborto – disse o pecuarista Pat Frey, de Glenwood City, Wisconsin, que apóia Bush. Os partidários de Kerry citam o emprego, o sistema de saúde e a aposentadoria como principais assuntos.

– Preocupo-me com meu emprego. É hora de mudar – disse o eletricista Junior Ruff, de Bloomer.