Nicarágua denuncia na ONU políticas de agressão imperialista

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 27 de setembro de 2011 as 09:38, por: cdb

A Nicarágua condenou nesta terça o emprego da guerra como meio para solucionar conflitos, considerando a agressão imperialista à Líbia, e exigiu o reconhecimento do Estado de Palestina e o fim do bloqueio a Cuba. O chanceler Samuel Santos colocou as posições de seu país nos debates do 66º período de sessões da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

Nicarágua
Na sede da ONU em Nova York, o chanceler da Nicarágua, Samuel Santos, defendeu o reconhecimento da Palestina e o fim do embargo a Cuba

A imprensa desta nação centro-americana ofereceu resumos detalhados sobre a intervenção do diplomata, que qualificou de “vergonhosa” a manipulação que as grandes potências fizeram da resolução 1973 do Conselho de Segurança de ONU a respeito do caso líbio. “Com esse pretexto, os integrantes da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) levam a cabo uma guerra de caráter ilegal, expressão da ‘necessidade patológica que têm certos Estados de quererem submeter a todo custo os povos do mundo'”, asseverou.

– Os bombardeios à Líbia constituem o mais recente exemplo de como se atenta contra a soberania de um membro da Organização das Nações Unidas, violentando a Carta das Nações Unidas, sustentou o ministro. “Não podemos permitir que este novo modelo de agressão imperialista se imponha e continuem agredindo nossos povos; com ingerência e intervenção não se resolverão as crises, só o diálogo e a negociação permitirão as soluções”, sublinhou.

Santos afirmou que a “inaceitável política de ‘dois pesos, duas medidas’ converteu-se em uma constante daquelas potências com claros propósitos hegemônicos”.

-A dupla moral é patente: seis décadas de conflito e querem negar-lhe ao povo palestino o direito a um Estado, quando, há menos de 10 dias, com inédita rapidez, esta Assembléia Geral reconheceu um conselho de transição que ainda não tem constituído governo na Líbia, contrastou o chanceler.

-A Nicarágua ratifica perante esta Assembleia Geral seu reconhecimento ao Estado Palestino, em suas fronteiras de 1967 e com Jerusalém Oriental como capital, e faz um chamado a que, aqui e agora, se proclame a Palestina como o estado membro 194 da ONU. Junto ao direito palestino, encontra-se a existência do Estado de Israel, a quem reconhecemos jurídica e politicamente; que existam ambos Estados e que seus povos possam viver em paz e trabalhando para seu próprio benefício e desenvolvimento, é o clamor universal- recordou o político.

Santos também destacou o sistemático não cumprimento das resoluções adotadas pela Assembleia Geral de ONU em relação à exigência de pôr fim ao bloqueio econômico do governo dos Estados Unidos contra Cuba. “As sanções contra Cuba permanecem intactas e se aplicam com todo o rigor”, lembrou o alto servidor público. “O criminoso bloqueio viola o Direito Internacional, é contrário aos propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas e constitui uma transgresão ao direito à paz, ao desenvolvimento e à segurança de um Estado soberano. É, em sua essência e objetivos, um ato de agressão unilateral e uma ameaça permanente contra a estabilidade de um país”, declarou.

Apesar do “criminoso bloqueio”, Cuba “é cada dia mais solidária, mais fraterna, e mais irmã de todos os povos do mundo; seu exército de batas brancas e de educadores é a cada dia mais numeroso e solidário”, destacou.

O titular de Relações Exteriores também assegurou que a Nicarágua se une ao clamor internacional “de que cesse a injustiça cometida contra os cincos heróis cubanos, que este 12 de setembro cumpriram 13 anos de prisão injusta por alertar seu povo sobre atividades de organizações terroristas.”