AAA 24 de Agosto de 2011 – 15h16 Bolívia cobra explicação dos EUA por contatos com indígenas

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quarta-feira, 24 de agosto de 2011 as 17:45, por: cdb

O governo da Bolívia mostrou-se incomodado com as ligações telefônicas que um funcionário da Embaixada dos Estados Unidos em La Paz fez para conversar com líderes do movimento indígena que protestam contra a construção de uma estrada em uma reserva natural.
A denúncia foi feita pelo próprio presidente Evo Morales no último domingo (21). Segundo o mandatário, um diplomata teria ligado para três lideranças indígenas que participam dos protestos.

Leia também:
Morales acusa EUA de apoiarem marcha indígena contra estrada

O ministro da Presidência, Carlos Romero, que ocupa atualmente o cargo de chanceler interino, se reuniu hoje com o conselheiro da embaixada norte-americana, William Mozdzierz.

Romero manifestou o mal-estar e profunda contrariedade das autoridades bolivianas em razão do contato. “Foram feitas comunicações diretas, sem acudir em primeiro lugar ao Estado boliviano através da Chancelaria, que é a interlocutora direta”.

Segundo o ministro, Mozdzierz teria admitido a ocorrência das ligações, que incluíram conversas com alguns analistas com o “objetivo de obter informação sobre a situação do país”, e identificou o funcionário da embaixada que realizou os contatos.

Morales considerou o “procedimento” impróprio para uma relação bilateral “que respeita a soberania de um Estado”,e pediu ao representante norte-americano um relatório sobre as ligações.

O governo boliviano considera que os telefonemas violaram a Convenção de Viena sobre privilégios e imunidades e a obrigação de um Estado de “não se imiscuir em assuntos internos” de outro.

O diplomata norte-americano, porém, teria assegurado ao ministro boliviano, segundo o próprio Romero, que essa não era a intenção da Embaixada. Ao sair da reunião, Mozdzierz reiterou que seu governo “não tem nada a ver com a marcha indígena” e que pretende “melhorar as relações” dentro do “respeito mútuo”.

No entanto, um dia antes da reunião com o ministro boliviano, a Embaixada norte-americana defendeu, em comunicado, que o diálogo com diversos setores é um “trabalho cotidiano da diplomacia” considerado “usual e apropriado”.

Em 15 de agosto, os indígenas iniciaram uma marcha de Trinidad a La Paz em rechaço à construção da segunda parte da rodovia Villa Tunari-San Ignácio de Moxos, que corta ao meio a reserva natural TIPNIS, a maior do país e lar de diversos povos indígenas. A responsabilidade da obra é da empreiteira brasileira OAS, e que conta com financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento).

A bancada parlamentar do partido governista,o MAS (Movimento Ao Socialismo) decidiu formar uma comissão para investigar as ligações entre a diplomacia norte-americana e os dirigentes da marcha indígena. O resultado da apuração pode levar a processos contra os líderes sociais.
Fonte: Opera Mundi