AAA 22 de Setembro de 2011 – 16h12 Visita do papa Bento XVI divide parlamento alemão

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Publicado quinta-feira, 22 de setembro de 2011 as 16:35, por: cdb

Cerca de 20 mil pessoas fizeram nesta quinta-feira (22) uma manifestação em Berlim contra a visita do Papa Bento XVI, protestando contra a política sexual e de gênero do Vaticano, ao mesmo tempo em que deputados de diferentes bancadas boicotaram seu discurso no Parlamento.
Os organizadores do protesto exigem também que a Igreja católica esclareça de forma convincente recentes escândalos sobre abusos sexuais de menores de idade, revelados na Alemanha há mais de dois anos.

Bento XVI foi recebido nesta quinta em Berlim, seguindo depois para as cidades de Erfurt, Turingia e Friburgo, informaram fontes governamentais.

Durante uma coletiva de imprensa, o representante da associação Humanistischer Verband (Federação Humanista), Werner Schulz, assegurou não ter problemas com a visita do Papa, mas criticou a palestra do representante da Igreja Católica na Câmara baixa do parlamento alemão (Bundestag).

“É preciso lembrar que a Alemanha é um país laico e o papa não tem nada a fazer no Bundestag”, afirmou Schulz.

Com o mesmo argumento, a associação Humanistische Union (União Humanista) recusou o encontro do papa com juízes do Tribunal Constitucional Federal (TCF).

O Tribunal tem o dever de garantir a eqüidistância entre o Estado e comunidades religiosas e, por isso, deveria evitar uma aproximação desnecessária com um grupo religioso”, protestou a União Humanista.

Anunciado há várias semanas, o discurso do papa no Parlamento alemão levantou debates entre as diferentes bancadas políticas, sobretudo entre as organizações de esquerda e a social-democracia.

Cerca de 100 deputados anunciaram um boicote à intervenção do chefe da Igreja católica, ao mesmo tempo que os representantes dos partidos de direita e conservadores atacaram os críticos do papa.

“Farei valer meu direito ao exercício livre de meu mandato e não participarei nesta atividade, pois também não se trata de uma sessão oficial do parlamento”, disse a deputada social-democrata Elke Ferner ao defender sua decisão.

Ferner qualificou o boicote do discurso e do ato de solidariedade com todos aqueles que lutam contra os dogmas dentro da Igreja católica .

Deputados do Partido Verdes e do Die Linke (A Esquerda) participaram da manifestação no centro da capital alemã.

Antes da visita do Papa, as autoridades elevaram os níveis de segurança, colocando nas ruas um contingente de 16 mil policiais.

A Igreja católica calculou os custos da visita em cerca de 30 milhões de euros. Ao mesmo tempo, cidades e o Estado alemão dispenderam quase o mesmo valor nas medidas de segurança.

Com informações da Prensa Latina