A semana

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Publicado sábado, 27 de julho de 2002 as 07:46, por: cdb

Tão bem que começou a semana. O dólar estava em R$2, 80, o Fraga tinha batido um papo com o Mercadante, o cabelo da Patrícia Pilar estava crescendo e todos os fardões da Academia foram retirados da naftalina. Não era o melhor dos mundos, mas era o mundo que todo conhecíamos. Então, não mais que de repente, as coisas desandaram. A Ana Maria Braga disse que pretendia se candidatar à vaga de Roberto Campos, o governo americano resolveu verificar a contabilidade da Aol, os filhos do velho Rigas deram um campo de golf para o pai de 16 milhões de dólares e Fernando Henrique mandou avisar que se o Serra continuasse se portando mal, ele votaria em Lula no segundo turno.
Aí, como era fácil de perceber, a semana não tinha mais conserto. Sharon mandou bombardear a ala residencial de Gaza, o presidente do Iran disse que Bush tinha que parar de meter o nariz onde não devia, o Manchester pagou 47 milhões de dólares pelo Rio Ferdinand, o mesmo zagueiro que fez a falta que Ronaldinho Gaúcho transformou em gol, A Ferrari pediu desculpas a Rubinho pelo seu carro não ter conseguido largar de cima de um cavalete, no Grande Premio da França e o IBGE mandou avisar aos netos que os avós iam tomar contra do país e obrigar toda as FMES a tocar valsa.
O que começa mal, só pode terminar ainda pior. O SIVAM foi inaugurado e pagamos um bilhão e meio para salvar os Estados Unidos do narcotráfico, o numero de desempregados aumentou na Argentina, mas entre eles não esta Bielsa, o técnico da seleção e o dólar passou dos limites, tornando o nosso custo de vida ainda pior e aumentando a nossa divida externa, que até pessoas sem o menor senso de humor já acham que é impagável. Paulo Coelho foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras, o que aumentou as esperanças de Ratinho de se tornar imortal e depois disso tudo, Nossa Senhora, que só aparecia em São Paulo deu de aparecer em todas as vidraças do Brasil. Mesmo assim, foi pouco milagre para tanta crise. Se Nossa Senhora está mesmo querendo levantar nosso moral, tinha que perder a timidez e sair das vidraças para as vitrines das lojas.