A recalcada marcha da liberdade

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Publicado segunda-feira, 30 de maio de 2011 as 14:55, por: cdb

Por degredado 30/05/2011 às 17:31

A marcha da liberdade, que ocorreu no dia 28/05/2011, foi digna de uma análise freudiana. Não a farei por incompetencia. Mas intuo fortemente que ela sofreu recalque.
Semana passada, a organização do ato, muito temerosa da repressão policial, sentou-se cordialmente à mesa de reuniões de um quartel em São Paulo, para negociar o trajeto da marcha e a paz com a polícia militar. Na sexta-feira, o Tribunal de justiça de São Paulo, passara por cima da constituição federal, proibindo o uso das palavras ?maconha? e ?aborto? na passeata, de forma que os guardas poderiam descer a ripa no povão se aqueles termos fossem usados. A pequena burguesia, que não aguenta levar um beliscão, tremeu de medo, e logo cedeu à pressão. Sentou com o comando da PM e prometeu que se algum arruaceiro usasse as palavras maconha e aborto, as devidas providências seriam tomadas por uma comissão de segurança. Pouparam a PM de seu serviço, pois eles cumpriram o serviço da PM. O nome disso é auto-repressão, mais conhecido como recalque.
O mais irônico é que a marcha se intitulava ?pela liberdade?, evocando em sua idéia a liberdade de expressão. Esta liberdade é um direito previsto na constituição. A lei de apologia ao crime é inconstitucional. O TJ/SP agiu de maneira despótica. A polícia comete um crime quando impede o cidadão de se expressar. Portanto, a organização do ato se submeteu àquilo que era contra por princípio. Primeiro sentou-se com a polícia para negociar o inegociável, e depois capitulou. Os organizadores não tomaram os beliscões que tanto temiam: não houve repressão por parte da polícia ao ato. E, como é próprio do recalque, o resultado da marcha pode ser um disturbio psíquico, caracterizado numa falsa impressão de vitória.