‘A pobreza é resultado da incompetência dos que já governaram este país’

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Publicado sábado, 11 de janeiro de 2003 as 18:12, por: cdb

Ao chegar ao Vale do Jequitinhonha, neste sábado, com a chamada “Caravana da Fome”, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva culpou governos anteriores pela pobreza naquela que é uma das regiões mais míseras do Brasil.

A cidade de Itinga, no norte de Minas Gerais, é a última escala do giro promovido por Lula ao semi-árido do país, com o objetivo de mostrar a 30 ministros e secretários as necessidades mais básicas da população pobre.

“A pobreza é resultado da incompetência dos que já governaram este país”, disse Lula.

Para chegar a Itinga, procedentes de Recife, a capital de Pernambuco, Lula e sua caravana desembarcaram no Boeing presidencial na cidade de Montes Claros. De lá, já acompanhados do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, seguiram em aviões menores até Araçuaí.

Os 40 quilômetros restantes até Itinga foram percorridos de carro.

Já em Itinga, Lula e sua equipe atravessaram o rio Jequitinhonha em uma balsa. Do outro lado da cidade, milhares de pessoas esperavam o presidente, que discursou em um coreto.

Lula esteve anteriormente em Itinga há nove anos, durante sua segunda campanha à Presidência da República. E, como aconteceu naquela época, andou pelas ruas, abraçou e apertou a mão de populares, muito emocionados com a presença do presidente – o primeiro na história do Brasil a visitar a cidade.

Enquanto ouvia pedidos dos moradores, Lula afirmou que, embora ambos pertençam a partidos diferentes, ele, do Partido dos Trabalhadores, e Aécio Neves, do Partido da Social Democracia Brasileira, unirão forças para melhorar a vida da população do Jequitinhonha.

Em Itinga, quase metade das residências não tem banheiro e um terço da população com mais de 10 anos de idade é analfabeta.

“Essa região, que é uma das culturalmente mais ricas do país, não pode continuar a ser vista pelo Brasil e o mundo como o ‘Vale da Miséria'”, afirmou Lula em seu discurso na praça central.

Unindo forças com Aécio
Lula prometeu urgência na construção de uma ponte sobre o rio Jequitinhonha, possibilitando a ligação de Itinga com cidades mais prósperas, com melhores condições de trabalho.

“Nunca entendi por que não existe essa ponte”, disse. “Certamente, se ao longo da história, os governantes tivessem parentes que moram em Itinga, essa ponte já existira”.

Lula, então, reiterou seu objetivo de cooperar com Aécio Neves como forma de agilizar as obras de infra-estrutura da região.

“Tanto eu tenho que tratar o Aécio da forma mais democrática e respeitosa como ele, tenho certeza, também fará comigo”, salientou. “Muito mais importante do que a divergência entre o PT e o PSDB é a necessidade do povo de Minas Gerais e do povo do Vale do Jequitinhonha”.

“Vamos cuidar com muito carinho do Vale do Jequitinhonha”, prosseguiu. “Vai ser em uma das regiões mais pobres do Brasil que vamos definir as nossas prioridades. Porque é o povo pobre que mais precisa do governo”.

Lula lembrou que, logo em seu primeiro dia de trabalho, deu a seus ministros um prazo de 30 dias para que apresentem as metas de suas respectivas pastas. Dirigindo-se ao governador de Minas Gerais, o presidente afirmou: “Pode estar certo de que o Vale do Jequitinhonha aparecerá em muitas destas pastas”.

Ao se despedir da população de Itinga, Lula avisou: “Onde eu estiver, o Vale estará na minha cabeça e no meu coração”.

A multidão agradeceu cantando: “Olê, olê olê olá, Lula, Lula”.

A estratégia de Lula de confrontar sua equipe com o ingrato dia-a-dia dos brasileiros do semi-árido parece ter dado certo.

O ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, disse que o presidente “causou um impacto na alma dos ministros”.