A opinião mundial é um adversário poderoso contra Bush

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Publicado segunda-feira, 17 de fevereiro de 2003 as 12:48, por: cdb

A desintegração da aliança ocidental sobre o Iraque e as enormes manifestações antiguerra realizadas por todo o mundo no último fim de semana são evidências de que ainda podem existir dois superpoderes no globo: os EUA e a opinião pública mundial.

Em sua campanha para desarmar o Iraque, pela guerra se necessário, o presidente Bush parece estar enfrentando um novo e tenaz adversário: as milhões de pessoas que invadiram as ruas de Nova York e outras cidades em todo o mundo para afirmar que são contrários a uma guerra motivada pelas provas hoje disponíveis.

Os assessores de Bush estão pedindo ao presidente que ignore as pressões e prossiga, assim como alguns republicanos pró-guerra. O senador John McCain, por exemplo, afirmou no domingo que era “tolo” as pessoas protestarem em nome do povo iraquiano, porque eles vivem sob o governo de Saddam Hussein “e estarão em melhor condição quando forem libertados deste julgo brutal e incrivelmente opressivo”.

Essa pode ser a verdade, mas não responde à questão apresentada por França, Alemanha e outros membros do Conselho de Segurança: Qual é a razão urgente para uma guerra agora, se a há a chance de as inspeções continuadas, e sob pressão militar, possam alcançar pacificamente o desarmamento do Iraque?

A nova manifestação de sentimentos antiguerra pode não ser bastante para dissuadir Bush ou seus assessores de seus resolutos preparativos para a guerra. Mas o número notório de manifestantes oferece uma mensagem poderosa que qualquer precipitação para a guerra pode ter conseqüências políticas para as nações que apóiam a marcha de Bush para os vales do Tigre e do Eufrates.

Esta pode ter sido a razão para que os ministros do Exterior de 22 nações árabes, encontrando-se no Cairo, Egito, no domingo, tenham pedido que todos os países árabes “recuem na oferta de qualquer tipo de assistência ou uso de instalações para qualquer ação militar que leve à ameaça da segurança e integridade territorial do Iraque”.

O problema mais óbvio para Bush é a ruptura de relações entre os EUA e alguns de seus principais parceiros na Europa: França e Alemanha, agora acompanhadas da Rússia, China e uma lista crescente de outros países.

Washington descobriu quão profundamente foi abalada a unidade ocidental, quando pediu a disposição defensiva da Otan para que a Turquia se proteja da intimidação iraquiana – um pedido que gerou oposição e um debate intensamente contencioso.