A Nova Economia faz mais uma vítima: PSINet encerra operação no Brasil

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Publicado terça-feira, 21 de agosto de 2001 as 20:16, por: cdb

Uma combinação de falhas administrativas, investimentos mal planejados e o processo natural de depuração do mercado das chamadas empresas pontocom. Essa poderia ser uma primeira análise das causas que levaram a subsidiária brasileira do provedor norte-americano PSINet a encerrar suas operações do dia para a noite no Brasil, deixando a descoberto cerca de 3 mil usuários corporativos e 50 mil pessoas físicas assinantes dos serviços de acesso Internet da empresa.

A PSINet Brasil – que estava atuando no País há dois anos com 11 escritórios em diversas cidades brasileiras – anunciou, nesta segunda-feira, o final de suas operações em território nacional, após diversos episódios que já vinham sinalizando para as crescentes dificuldades enfrentadas pelo provedor de acesso como, por exemplo, os problemas com a Telemar desde o dia 26 de julho, quando os clientes corporativos da PSINet no Rio de Janeiro ficaram sem conexão à Internet por falta de pagamento da dívida existente com a operadora.

As dificuldades, inclusive, cresceram a ponto de parceiros do provedor como a Inter.net – uma empresa provedora de acesso Internet para o mercado de pessoas físicas e micro-empresas em 26 países – anunciarem o rompimento de relações no dia 17 deste mês, com a alegação de problemas de gerenciamento da PSINet, já que a empresa responde, no Brasil, pela rede de acesso formada com a aquisição dos provedores regionais STI, em São Paulo; Openlink, Domain, GlobalNet e Pontocom, no Rio de Janeiro; Elogica em Recife e João Pessoa; CorreioNet, em Campinas; Servnet, em Salvador e Feira de Santana; TBANet em Brasília e Curitiba; e Horizontes, em Belo Horizonte.

De acordo com diretor de operações da PSINet para a América Latina, Phelippe Kupermann, a operação brasileira vinha apresentando problemas que a estavam tornando insustentável, como o déficit operacional mensal do provedor que inviabilizava sua manutenção, mesmo com faturamento anual projetado em torno de US$ 20 milhões. Para o diretor, o problema principal não foi originado pela estrutura da empresa, mas sim pela retração inesperada do mercado brasileiro no setor de negócios e acessos Web.

Dívidas de US$ 3 bilhões nos EUA
Esse desequilíbrio nas contas da subsidiária foi o fator principal que levou ao encerramento das operações e à demissão do quadro de 200 funcionários da PSINet Brasil distribuídos pelos escritórios da empresa no País.

Kuppermann revelou, ainda, que a situação de insalubridade financeira extrema acabou inviabilizando decisões menos radicais como reduções de pessoal e infra-estrutura, com a manutenção de uma operação menor e mais modesta no Brasil.

Ele adiantou, também, que o pagamento das dívidas fiscais e trabalhistas da subsidiária estão sendo analisadas pelos advogados da matriz, além das despesas com fornecedores e acionistas em um quadro que pode ficar ainda um pouco mais sombrio já que PSINet norte-americana acumula, atualmente, um débito de US$ 3 bilhões, devido à agressiva política de aquisições desenvolvida para fazer frente à queda acentuada das ações na Nasdaq.

Ações na Justiça
A PSINet Brasil ainda poderá sofrer ações judiciais com base no Código de Defesa dos Direitos do Consumidor brasileiro, por parte dos usuários que se sentirem lesados pelo final inesperado das operações do provedor, sem a comunicação desta decisão dentro de um prazo razoável para que pudessem migrar para outros fornecedores de acesso Internet sem grandes prejuízos para seus negócios e operações Web.

De acordo com advogados especializados em Internet, as ações poderão acontecer até sem a necessidade de contratação de advogados, dependendo do valor da indenização pedida pelos usuários. No caso de ações cujo valor seja calculado entre 20 e 40 salários mínimos, estas
poderão dar entrada no Juizado Especial Civil, mas para indenizações acima de 40 salários mínimos torna-se necessária a contratação de um advogado, sendo que o processo pode levar até 8 meses para ser julgado e te