A guerra errada

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Publicado segunda-feira, 31 de março de 2003 as 19:06, por: cdb

A opinião européia é unânime – os EUA subestimaram os problemas que poderiam ter no Iraque e o risco de atentados suicidas poderá complicar a entrada em Bagdá. Dificilmente se encontra alguém que defenda a guerra de Bush seja nos jornais, rádios e canais de televisão.

Ao contrário do que ocorreu na Guerra do Golfo, os europeus vêem pouco a CNN e canais americanos, pois podem ter acesso direto à guerra com seus próprios correspondentes.

À cada erro nos bombardeios, matando civis, à cada erro entre os soldados que se matam por engano, diante da resistência popular iraquiana, espontânea (ou forçada, no dizer dos americanos), da pausa dos americanos no deserto por falta de provisionamento e dificuldades não previstas, diante das enormes manifestações, os europeus reforçam sua argumentação de que essa guerra além de mal preparada poderá acender o fogo no Oriente Médio.

Se nas grandes manifestações nos países árabes, existe também a palavra de ordem de defesa de Sadam com o apelo dos extremistas à jihad ou guerra santa, a maioria dos europeus condena a guerra, sem defender Sadam.

A opinião européia, geralmente bem informada, é a de que Sadam é um ditador sanguinário, responsável por expurgos dentro do seu partido, pela guerra contra o Irã e pelo massacre de xiitas, depois da Guerra do Golfo. Porém, isso não constitui argumento para se invadir o Iraque e querer mudar o regime, mesmo porque falta o aval da ONU.

O resultado é se assimilar essa guerra a uma ação imperialista, no velho e ultrapassado estilo das guerras coloniais. A morte de civis aumenta a antipatia por Bush e Blair, acusados de terem cedido aos interesses da indústria dos armamentos e das empresas de petróleo.

Enfim, os incrédulos europeus lamentam que tudo seja feito, de ambos os lados, em nome de Deus ou de Alá.