A GOTA D’AGUA

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quarta-feira, 1 de junho de 2011 as 20:40, por: cdb

01/06/2011 às 23:13

No dia 28/05, mais de 5 mil pessoas ocuparam as ruas do centro de São Paulo exigindo Liberdade. A manifestação denominada como Marcha da Liberdade foi convocada após violenta repressão policial no sábado anterior, durante a Marcha da Maconha. Com a finalidade de denunciar mais uma entre as sistemáticas ações de repressão policial contra as manifestações politicas e a criminalização dos movimentos sociais por parte do Tribunal de Justiça de São Paulo, ela foi um grito de resposta a toda essa violência.

POR QUE LIBERDADE?

Apenas para citar os exemplos mais recentes, seja nas ocupações do centro (movimentos de moradia), nos bairros mais afastados (M’Boi Mirim), nos atos contra o aumento das tarifas de transporte público e por mais qualidade (MPL e movimento estudantil), nas estratégias de sobrevivência (camelôs e artistas de rua), nas lutas pelo direito ao corpo (descriminalização do Aborto e da Maconha) e opção sexual (Movimento LGBTT), ou nas greves de trabalhadores (professores), a polícia tem reprimido e atacado a população que vai às ruas para reivindicar seus direitos e se manifestar.

CONCENTRAÇÃO

A concentração do ato ocorreu no vão livre do MASP a partir das 14h com direito a apresentações de música, teatro e dança, muitas delas espontâneas. A presença de um grande contingente policial não intimidou a manifestação que em clima de festa distribuiu flores para a PM e para as pessoas que ali estavam. Foram disponibilizadas tintas e rolos de cartazes para que qualquer um pudesse mostrar sua indignação e expressar seu direito a liberdade. A comissão de segurança da Marcha se reuniu com a PM e ficou acertado que a marcha ocorreria, apesar (e por causa) da proibição judicial da véspera, em sentença claramente inconstitucional proferida pelo ?excelentíssimo? desembargador Paulo Rossi, seguindo os passos de seu colega Teodomiro Mendez. Após alguns pronunciamentos sobre os motivos da marcha e solidariedade aos povos que saem às ruas nos países árabes, Espanha e Grécia, todos seguiram em passeata pela Av. Paulista, ocupando duas faixas do lado direito da via.

MPL

Quando o Marcha chegou no cruzamento da Av. Paulista com a R. Augusta, militantes do Movimento Passe Livre estenderam uma faixa no Conjunto Nacional (prédio localizado na Av. Paulista) com os seguintes dizeres ?O aumento do ônibus continua um roubo. Tribunal de Justiça: faça justiça social já! Impugnação do Aumento. MPL SP?. A ação durou apenas 1 minuto, pois em seguida seguranças do prédio interviram apreendendo a faixa e expulsando os ativistas. Não houve detidos.

BALÕES E SILÊNCIO

Na chegada à Rua da Consolação houve chuva de bexigas do alto de um prédio, recebidos por gritos como “Joga o Kassab!”. Nesta altura a manifestação já ocupava toda a pista sentido centro. Em frente ao Cemitério da Consolação, os manifestantes fizeram um minuto de silêncio pelas vítimas do agronegócio. Maria do Espírito Santo, Zé Claudio e outros dois ativistas foram assassinados no Pará, na mesma semana em que a Câmara de Deputados aprovou o PL do Código Florestal, que anistia desmatadores e contribui no saque das terras da amazônia por grupos privados e estrangeiros. Neste momento, foi possível escutar a respiração dos manifestantes. Ao final deste curto minuto, o silêncio foi rompido pelo som de um saxofone que entoava uma conhecida melodia. Em um instante, todos cantavam os versos ?vou apertar, mas não vou acender agora?.

CONTRA O MACHISMO E A HOMOFOBIA

Entre pessoas com e sem partido, gente diferenciada, ciclistas, punks, pacifistas e outros bichos, o movimento feminista marcou forte presença, assim como o movimento LGBTT. As feministas e LGBTT gritavam pelo direito ao aborto e contra a homofobia, que fez muitas vítimas em SP nos últimos meses.

Maconheiros ?com muito orgulho, com muito amor? estavam presentes de maneira transversal, e a censura à suposta apologia não impediu diversos grupos anti-proibicionistas de se manifestarem pela descriminalização da maconha e do debate.

REPUBLICA PARA QUEM?

Ao final foram realizados alguns pronunciamentos em jogral sobre as próximas ações, com menções à luta contra o novo código florestal e a repressão aos movimentos de moradia. O ato terminou na Praça da República, onde cartazes e manifestações livres foram projetadas na parede de um edifício, ao som de maracatu e bandas de diferentes estilos, além de palhaços e outras performances.

PRÓXIMA MARCHA DA LIBERDADE

No dia 18 de junho, haverá outra marcha da liberdade. O dia 28 de maio foi apenas mais um passo para a recusa da população aos mandos e desmandos do estado. A ideia é que em todo o país, vilas, capitais, comunidades e todos os lugares onde houver indignação, façam a sua marcha da liberdade, em uma mobilização nacional, aproveitando os instrumentos das redes sociais para a divulgação. Espalhe esta ideia.

QUEM MARCHA PELA LIBERDADE

A Marcha da Liberdade teve a adesão de diversos movimentos, coletivos e organizações.

Veja a lista no site da marcha

Vídeos

Marcha da Maconha | Marcha da Liberdade ( reunião com a PM )