A esquerda triunfou na Líbia?

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Publicado domingo, 25 de setembro de 2011 as 20:35, por: cdb

Por Carlos Martínez, no sítio espanhol Rebelión:É possível que a Otan seja aliada de uma revolução? A esquerda pode compartilhar lutas e objetivos junto com os fundamentalistas islâmicos implicados nos atentados de 11-M de Madri?É um ato revolucionário e espontâneo cortar as cabeças dos inimigos rendidos ou executá-los sem julgamento prévio? Onde estão as fotos ou vídeos de ataques militares às manifestações da Líbia? Por que há dos cidadãos de Bahrain?Desde quando a Otan tem o objetivo de proteger à população civil? É a primeira vez ou já utilizou esta desculpa anteriormente? Os bombardeios aéreos são uma proteção? Por acaso os ataques aéreos não são um modo de intervenção covarde e impune?É possível bombardear, destruir e assassinar parte de sua população civil pelo fato de um país ser governado por um ditador? Por um acaso o povo espanhol pediu que a OTAN bombardeasse o país durante a ditadura genocida de Francisco Franco? Defenderíamos essa guerra se vivêssemos em Tripoli?A monarquia e a imposição da lei islâmica são revolucionárias? Por que muitos rebeldes utilizam símbolos nazistas? Onde estão as bandeiras e os sinais revolucionários que vimos na Tunísia e no Egito?Os governos de Venezuela, Cuba, Equador, Bolívia e Nicarágua poderiam ter se equivocado ao mesmo tempo, quando pediram uma saída negociada e pacífica?Por que não se optou pela mediação proposta pela União Africana? Qual país africano apoiou a intervenção da Otan na Líbia? Por que então dizem que somente Hugo Chávez apoiou Kadafi?É possível afirmar que a intervenção da Otan estava protegida pela ONU? Não é correto que o Conselho de Segurança concordou com a intervenção para “impor uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia e dar assistência e proteção à população civil desse país? Não foi a Otan a força armada que desequilibrou a guerra civil na Líbia?A esquerda na Europa está em condição de ensinar à esquerda que tomou o poder na América Latina? Esta esquerda se distanciará definitivamente da esquerda revolucionária da América Latina? É possível ser ecologista e pacifista e apoiar os ataques da Otan a alvos civis?É lógico que uma revolução comece repartindo os recursos naturais entre as multinacionais estrangeiras?É lógico que meios de comunicação como a Fox, CNN, Intereconomia, El Mundo, La Razón, ABC, o grupo Prisa e Vocento retransmitam e apóiem uma revolução com tanta unanimidade somente pela defesa de interesses comuns?Kadafi causou mais mortes que Sadam Hussein? Não foi Sadam por acaso um representante do império na guerra contra o Irã? Por que a resistência armada de curdos e xiitas no Iraque não é qualificada de “revolta popular”?Só há valentes em um dos lados? Por um acaso são covardes o que continuam lutando contra a intervenção na Líbia?Pode uma revolução ser modelo para o presidente dos Estados Unidos?Por que pessoas da esquerda que renegam (merecidamente) a transição espanhola, qualificam de revolução o que está ocorrendo na Líbia? Há alguma possibilidade de que na Líbia o povo tome o poder e se constitua um governo revolucionário? A nova Líbia será mais igualitária?Em resumo, para derrotar Kadafi, justifica-se a morte de milhares de civis inocentes, tanto horror e sofrimento?Em caso de dúvidas – e se forem sérias – deveria ter prevalecido o princípio “Não à guerra”.Sinceramente, oxalá à nova Líbia seja um país mais justo que a ditadura anterior de Kadafi. No entanto, a experiência do Iraque e Afeganistão demonstrou o contrário. Serão as mulheres, como quase sempre, as principais e as mais prejudicadas por um sistema mais machista e reacionário, como ocorreu onde os EUA intervieram para implantar a democracia.Espero também, no pior dos casos, que a esquerda que apoiou tão veemente a guerra da Líbia tenha a capacidade de fazer autocrítica assim que esteja consolidado o novo regime no país norte africano.* Tradução de Sandra Luiz Alves.