A despreocupação da Nasa na investigação do Columbia

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Publicado quarta-feira, 12 de fevereiro de 2003 as 15:17, por: cdb

Dez dias depois da explosão do Columbia sobre o Texas, só uma coisa se sabe com certeza: as sementes dos desastres parecem estar em um problema na asa esquerda, mas ninguém está disposto a afirmar o que causou a falha.

Enquanto 12 mil partes da nave foram recolhidas em uma faixa de 800 quilômetros entre o Texas e Louisiana, grande parte do ônibus espacial – o primeiro da América – pode não ser encontrada nunca. E a mensagem na terça-feira de Harold W. Gehman Jr, presidente do comitê que está investigando o desastre, era de que com a dificuldade de recolher evidências sólidas, a América não deveria esperar respostas em breve. Será uma longa tarefa.

Diferente da investigação da Challenger há 17 anos, que rumou rapidamente à falha de alguns anéis baratos em um foguete e então se tornou uma caça para aqueles que encontrassem evidências de um longo registro de falhas, o Columbia parece ter sido derrubado por problemas que não eram tão discerníveis.

Quase todos os dias surge uma nova teoria. Escombros que atingiram a asa na decolagem? Ainda é uma suspeita provável, mesmo quando a Nasa adotou essa resposta e então desistiu. Micro-meteoróides? Eles atingiram a nave antes, embora nunca tenham causado danos sérios. Gelo? Possivelmente.

“Estamos muito cuidadosos para não nos apaixonarmos por um cenário particular”, disse Gehman na terça-feira. Seria útil, disse ele, descobrir qual peça da nave atingiu o solo primeiro – a busca intensa na região de Fort Worth aponta para o oeste – para uma pista do que falhou primeiro.

Mas ele alertou que “mesmo que descubramos o que caiu primeiro, temos que encontrar a causa disso”.

Este é um longo caminho desde a declaracao que Ron D. Dittemore, administrador do programa espacial, fez no dia 2 de fevereiro, um dia depois do desastre. “Estamos supondo desde o começo que o tanque externo foi a causa do problema que levou à perda do Columbia”, disse ele então, uma referência ao grande pedaço de espuma de isolamento que foi visto – por câmeras que estavam fora de foco – caindo do tanque e atingindo a asa esquerda 81 segundos depois da decolagem no dia 16 de janeiro. “Esta é uma suposição drástica. E é realista”.

Mas apenas dois dias depois de Dittemore abandonar essa declaração, por motivos ainda tão obscuros quanto a fotografia da Força Aérea do Columbia passando sobre o Novo México com o que pareceu uma rachadura na asa esquerda e uma pluma suja de escombros atrás. Desde então, não surgiu nenhuma teoria melhor – apenas confusão não somente sobre o que aconteceu, mas também sobre quais peças do ônibus espacial foram recuperadas.

A equipe de investigação está se preparando para colocar um modelo da asa esquerda em um túnel de vento, para ver o que acontece quando os blocos resistentes ao calor não estão lá, ou quando o material frágil que protege uma asa está partido.

“A verdade é que ninguém sabe quando você propele uma peca de isolamento na asa a 215 metros por segundo”, disse um especialista envolvido na investigação. “O problema é que pode ser um pouco tarde para procurar essa resposta”.