A crítica que vem de dentro

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Publicado segunda-feira, 6 de agosto de 2001 as 18:00, por: cdb

Primeira ombudsman da TV brasileira critica as emissoras “chapa branca” e acha que as emissoras comerciais estão longe de ter seus ombudsman

Desde abril deste ano, Teresa Goulart é a primeira e única ombudsman de televisão do país. Jornalista mineira, mora em Belo Horizonte e tem 12 anos de telejornalismo na bagagem, tendo passado pela Globo, SBT e Bandeirantes. Convidada pela emissora universitária da PUC Minas para abrir um espaço de crítica interna e relação com os telespectadores, aceitou o desafio sem titubear (e sem cobrar, pois preferiu encarar o trabalho como voluntário).

Apontando a tendência “chapa branca” de muitas emissoras públicas, Teresa acredita que a PUC TV seja uma exceção: “Ainda não vi qualquer tipo de interferência neste sentido, até porque a comunidade universitária está muito envolvida, por meio do Conselho Editorial e do Conselho de Programação.”

Na sua quarta edição semanal, o programa Ombudsman Eletrônico aguarda a manifestação dos telespectadores, ainda pouco acostumados com a idéia de um interlocutor do outro lado da tela.

A ENTREVISTA

Site TVer: A sra. é a primeira ombudsman de uma emissora de TV no Brasil. Quais as suas expectativas em relação à sua atuação como ombudsman? Como a sra. vê esta iniciativa da PUC TV?

Tereza Goulart: Após 27 anos de carreira, dez deles passados em redações de televisão, sinto que, de alguma maneira, posso colaborar para despertar o senso crítico do telespectador (em especial o público-alvo da PUC TV – universitários). Quero difundir uma nova maneira de “assistir TV”, mais alinhada com a formação do espírito de cidadania. Considero a iniciativa da PUC TV uma boa idéia, não só porque inaugura no veículo televisão o que alguns jornais já estão praticando muito bem – uma avaliação do conteúdo sob a perspectiva do leitor – mas sobretudo pela possibilidade de “dar exemplo”, embora não acredite que tenhamos tão cedo a satisfação de ver um ombudsman atuando em emissoras de TV comerciais. Mas, estou certa de que é um bom começo. Como não existe exemplos de outros ombudsman na TV, tenho procurado atuar em completa harmonia com o público ao qual se destina meu programa.

Este trabalho depende fundamentalmente de dois processos: da participação do telespectador e da receptividade dos profissionais que fazem a PUC TV. Neste contato tenho também uma outra vantagem: avalio o trabalho de pessoas em início de carreira, portanto, menos resistentes à crítica. Sei que ombudsman de jornais sofrem com a má receptividade dos colegas jornalistas.

STV: Já existem no mundo organizações como a Organization of News Ombudsman. No Brasil, a Folha de São Paulo conta com ombudsman, mas ainda é um caso raro na mídia. A sra. acompanha o trabalho de ombudsman em outros veículos de comunicação, no Brasil e em outros países?

TG: Desde que resolvi aceitar o convite, comecei a pesquisar mais sobre o tema, que já me interessava muito, e vi coisas super interessantes na internet, tanto do Brasil quanto do exterior. Leio sempre a coluna do ombudsman da Folha de S. Paulo e também tenho procurado manter contato com as entidades que lutam pela melhoria da programação da TV brasileira. Acho o trabalho feito por Bernardo Ajzenberg, da Folha, de ótima qualidade.

STV: Qual a sua formação? De que maneira a sra. acredita que suas experiências profissionais anteriores, principalmente em grandes emissoras de TV, contribuem com o seu trabalho de ombudsman?

TG: Sou formada em Comunicação Social pela UFMG, com duas
especializações no exterior – na Universidade de Navarra, Espanha, e na Université Laval, no Canadá. Trabalhei em várias redações de revista, rádio e TV (dirigi dois departamentos de jornalismo – na Band Minas e na Alterosa/SBT Minas). Também fui colaboradora do jornal O Estado de São Paulo durante dois anos, quando morei no Canadá. Acredito que por ter passado quase a metade da minha carreira (12 anos) em TV posso usar esta experiência para colaborar na formação dos novos jorn