A crise e a esquerda que aprende com a história

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado segunda-feira, 28 de janeiro de 2008 as 23:24, por: cdb

Ainda é cedo para avaliar com precisão quais os reflexos que a crise financeira internacional poderá ter no Brasil. Permanece a tensão nas bolsas de valores de todo o mundo, causada pelo medo de uma recessão nos Estados Unidos e os conhecidos consultores e jornalistas especializados já dão o ar de sua graça. Lembram, como faz o economista Caio Megale, em artigo para a Folha de S.Paulo que “deixamos para trás reformas importantes, como a tributária e a da previdência, cujos frutos fazem falta nestes momentos”. Será que o maior feito do governo Lula não foi exatamente o de estabelecer fundamentos para um crescimento sólido sustentável? O que legitima quem pretende deitar cátedra sobre como conduzir a economia se eles são os mesmos que foram a nocaute nas crises dos anos 1990?

Se por um lado continuamos não subscrevendo críticas supostamente radicais, repletas de purismos inconseqüentes, aos rumos da política econômica adotada, por outro não podemos escutar calados os que pregam o velho receituário que levou o país à lona entre 1994 e 2002. Reafirmamos a necessidade de uma reforma fiscal e do controle efetivo do processo inflacionário. Mas perguntamos se há ambiente político para estabelecer, como destacou em artigo publicado no Globo, o ex-ministro Antônio Palloci, “uma agenda de reformas de interesses do país”? Como pactuar com uma oposição que aposta no “quanto pior, melhor?”.

Nunca esqueçamos o sucateamento na estrutura produtiva feita pela opção subalterna do governo anterior e a conseqüente redução da margem de manobra da equipe econômica no primeiro mandato do presidente petista. Muito menos o enfraquecimento do Estado Nacional levado a cabo em sintonia com a globalização neoliberal pode ser perdido de vista. Nossa postura está longe da resignação. De vislumbrar, no cenário criado pelos centros hegemônicos de poder, uma inevitabilidade natural à qual só resta uma adesão “inteligente”. Justo agora quando o epicentro da crise está na sede da “racionalidade neoliberal”. É no fio da navalha, nos interstícios da ação política, que o soberano submete a fortuna à virtù. É hora de reafirmar os acertos das opções. Sem qualquer receio de críticas à esquerda ou à direita.

Lembrar, por exemplo, que pouco tempo após a primeira eleição de Lula, nos nove primeiros meses de 2004, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 5,3%, o melhor resultado desde 95. Houve aumento de investimentos e vários setores começaram a reduzir a capacidade ociosa. A equipe econômica soube aproveitar a desvalorização do dólar e captar US$ 500 milhões, através de bônus com vencimento em 2014 e juros extremamente favoráveis. Não era isso o que esperavam os profetas do caos.

A forte queda no risco-Brasil, essa ficção do capital especulativo, para 412 pontos foi motivo de elogios em telejornais e conhecidas colunas de economia. À época, a mídia apostava na continuidade da política macroeconômica tucana. Estávamos, segundo os bravos colunistas, no caminho certo, no cumprimento com louvor dos fundamentos macroeconômicos da gestão anterior. Era a aurora de uma ilusão que, desfeita, se transformaria no mais explícito ódio de classe impresso em numerosas páginas da imprensa.

Vivíamos a era pallociana. Buscava-se estabilidade frente a um colossal endividamento deixado por FHC. A margem para erros era mínima. Não era o que pensavam bons nomes da academia. A professora Maryse Farhi, do Instituto de Economia da Unicamp, em artigo publicado na revista Carta Capital, afirmou que: “o regime de metas de inflação constitui um dos mais importantes obstáculos ao crescimento econômico sustentado no Brasil. Foi adotado após a crise cambial de 1999 e a passagem para o regime de câmbio flutuante”. O que soava óbvio para uma estudiosa do cenário econômico brasileiro podia comportar algum equívoco? Quem não se lembra dos que afirmavam que o núcleo do duro do governo petista operava no imediatismo do micro para dele inferir o macro?

Quando o Banc