Líderes mundiais condenam massacre em boate nos EUA

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Publicado segunda-feira, 13 de junho de 2016 as 09:41, por: cdb

Chefes de Estado e de governo expressaram condolências aos Estados Unidos e reforçam urgência de combate a crimes de ódio. “Ataques mortais como esse nos causam profunda tristeza”, diz Merkel

Por Redação, com agências internacionais – de Orlando,EUA:

Líderes mundiais manifestaram-se sobre o massacre que deixou pelo menos 50 mortos e 53 feridos numa casa noturna gay de Orlando, na Flórida, no domingo.

– Nós estamos firmemente determinados a continuar com uma vida tolerante e aberta, mesmo que ataques mortais como esse nos causem profunda tristeza – declarou a chanceler federal alemã, Angela Merkel, que iniciou uma visita oficial à China nesta segunda-feira.

Uma série de líderes mundiais manifestaram-se sobre o massacre que deixou pelo menos 50 mortos e 53 feridos numa casa noturna gay de Orlando, na Flórida
Uma série de líderes mundiais manifestaram-se sobre o massacre que deixou pelo menos 50 mortos e 53 feridos numa casa noturna gay de Orlando, na Flórida

Ao lado do primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, Merkel afirmou que é assustador que “o ódio e a maldade de um só homem tenha custado a vida de 50 pessoas”. Omar Mateen, de 29 anos, cidadão norte-americano de origem afegã jurou lealdade ao grupo “Estado Islâmico” (EI) antes do ataque.

O alto comissário da ONU para Direitos Humanos, Zeid Al Hussein, condenou o ataque supostamente planejado devido à orientação sexual das vítimas.

O presidente russo, Vladimir Putin, enviou condolências ao presidente norte-americano, Barack Obama, e disse que a Rússia compartilha da dor e da tristeza dos familiares das vítimas do “crime bárbaro”.

O presidente de Israel, Reuvén Rivlin, lamentou o massacre no clube Pulse. “O ataque contra a comunidade LGBT de Orlando é tão covarde quanto anormal”, escreveu em comunicado dirigido a Obama. “O povo de Israel se mantém ombro a ombro com nossos irmãos e irmãs norte-americanos na luta moral e justa contra toda forma de violência e ódio”, disse.

O governo japonês expressou solidariedade com os Estados Unidos “neste momento difícil”. “O terrorismo é um desafio contra os valores que o Japão e os EUA compartilham. Seguiremos trabalhando na luta contra o terror junto à comunidade internacional”, afirmou o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, que se mostrou “profundamente comovido e indignado”.

No domingo, Obama classificou o pior massacre a tiros da história recente dos EUA como um ato de terror e ódio. “O massacre nos lembra como é fácil pôr as mãos numa arma que permite a eles atirar em pessoas em escolas, em uma casa de culto, cinemas e clubes noturnos”, disse Obama ao reforçar a necessidade de debate sobre o porte de armas no país.

Homenagem no Tony Awards

Na noite de domingo, a cerimônia do Tony Awards, considerado o Oscar do teatro, homenageou vítimas do massacre.

– A tragédia de vocês é a nossa tragédia. O teatro é um lugar onde há espaço para todo mundo, todas as raças, orientações sexuais e credos. O ódio nunca vencerá – disse o apresentador britânico James Corden no início do evento.

O musical de hip hop Hamilton venceu a premiação com 11 estatuetas. Ao anunciar o vencedor, a atriz Barbra Streisand se juntou aos atores presentes no palco e prestou uma homenagem aos mortos em Orlando.

– Hoje a nossa alegria é tingida de tristeza. A arte pode nos educar e divertir e, em momentos como esse, nos consolar – disse.

Familiares e amigos

Familiares e amigos de pessoas que estavam em uma boate de Orlando onde um atirador que jurou lealdade ao Estado Islâmico abriu fogo aguardavam ansiosamente nesta segunda-feira para descobrir se seus entes queridos estão entre os 50 mortos e 53 feridos do maior ataque a tiros da história dos Estados Unidos.

A polícia federal dos EUA (FBI), e outros agentes da lei estão esmiuçando os indícios que possam explicar os motivos da matança na cidade da Flórida, um massacre que o presidente norte-americano, Barack Obama, repudiou dizendo ser um ato de terror e ódio.

O atirador, Omar Mateen, cidadão dos EUA e filho de imigrantes afegãos que nasceu em Nova York e morava na Flórida, foi morto a tiros por policiais que invadiram a casa noturna com veículos de assalto depois de um cerco de três horas.

Mateen, de 29 anos, ligou para os serviços de emergência durante os disparos e jurou aliança ao líder do grupo militante Estado Islâmico, disseram autoridades. No domingo, seu pai disse que o filho não era um radical, mas indicou que Mateen tinha ressentimento de homossexuais. Sua ex-esposa o descreveu como um homem mentalmente instável e violento.

O massacre reacendeu o debate sobre a melhor maneira de confrontar a militância islâmica violenta, um dos principais temas da campanha presidencial dos EUA. É esperado que a candidata democrata Hillary Clinton e seu rival republicano, Donald Trump, abordem o assunto nesta segunda-feira.

Os disparos começaram pouco antes das 2h da manhã de domingo (horário local) no clube Pulse, no coração de Orlando, cerca de 25 quilômetros ao nordeste do Walt Disney World Resort. Cerca de 350 frequentadores participavam de um evento de música latina no local, que é conhecido da comunidade gay da cidade, e os sobreviventes descreveram cenas de carnificina e pandemônio quando o atirador levou reféns para dentro de um banheiro.

Quase 24 horas depois do fim da tragédia, as autoridades só divulgaram publicamente os nomes de 21 das vítimas, metade delas na casa dos 20 anos.