8 de Março: Mulheres do campo enfrentam as piores desigualdades em vários aspectos

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Publicado quinta-feira, 8 de março de 2012 as 15:59, por: cdb

De acordo com dados da Organização Internacional doTrabalho, a maioria das mulheres que está no campo é trabalhadora familiar nãoremunerada, que está constantemente exposta a trabalhos precários. E quandorecebe, embolsa cerca de 25% menos que os homens e trabalha mais horas. Estesdados enfatizam que neste 8 de Março – Dia Internacional da Mulher – a datasegue sendo de luta, de resistência, de organização em busca de um mundo maisigualitário.

O avanço do capitalismo na agricultura, a falta depolíticas públicas voltadas para o campo e reconhecimento da força laboral dasmulheres neste cenário são alguns dos pontos mencionados pela Via CampesinaInternacional para demarcar o 8 de Março.

“Reitaramos como condição essencial elevar o nívelde consciência de todas e todos, valorizando o grande protagonismo e aimportância que tem a participação das mulheres na agricultura camponesa,conservando os saberes ancestrais e cuidando das sementes, garantindo abiodiversidade e a soberania alimentar dos povos. É lamentável que as mulheresrurais que produzem 80% dos alimentos no mundo sejam proprietárias somente de2% das terras”, afirma o comunicado da Via Campesina.

Também nesse contexto, a OIT dedicou o tema dasmulheres rurais ao 8 de Março deste ano de 2012. “Empoderamento das mulheresrurais – erradiquemos a pobreza e a fome” é o título do comunicado quehomenageia as camponesas de todo o mundo, lembrando a valor da mulher rural,peça chave para alimentar as famílias, aumentar a renda do lar e ajudar nocrescimento e desenvolvimento de suas comunidades. Estas mulheres e meninas,empresárias, trabalhadoras agrícolas, autônomas e responsáveis por empresasfamiliares – que representam uma de cada quatro pessoas no mundo – são asmesmas responsáveis por toda a carga do trabalho doméstico e pelo cuidado comos filhos.

“Apesar disso, elas enfrentam algumas das pioresdesigualdades no acesso a serviços sociais, a terra e a outros bens produtivos.Isso priva a elas e ao mundo de alcançar seu pleno potencial (…). Não sepoderá encontrar nenhuma solução duradoura às principais mudanças atuais – dasmudanças climáticas à instabilidade política e econômica – sem o empoderamentopleno e sem a participação das mulheres do mundo”, ressaltou BacheletDirectora, diretora executiva de ONU Mulheres em mensagem sobre o oito demarço.

Enquanto elas se esforçam para dar conta dasdiversas jornadas de trabalho, fica cada vez mais distante a possibilidade dese dedicar à educação, capacitação e atividades econômicas remuneradas. Isto sereflete, por exemplo, na quantidade de mulheres analfabetas no mundo. Do totalde pessoas que não sabe ler e escrever – 796 milhões – mais de dois terços sãomulheres, muitas das quais vivem no campo.

Com vistas nisso, a OIT pede que os Estadoshomenageiem concretamente estas mulheres rurais e fomentem políticas públicaspara que elas possam impulsionar o crescimento econômico rural e a redução dapobreza. ONU Mulheres também faz um pedido neste sentido e apela para se quebreo ciclo de exclusão da mulher, sobretudo, nas esferas política e econômica,gerando assim o fortalecimento da democracia e da justiça.

Uma prova de que o caminho certo para reduzir a fomeé investir nas mulheres rurais é o fato de que, se elas tivessem acesso aosmesmos recursos que os agricultores, cairia entre 100 e 150 milhões o número depessoas faminta e se reduziria drasticamente a quantidade de crianças desnutridas,revelou Bachelet.

DiaInternacional

Desde 1910, o 8 de Marçoé celebrado como Dia Internacional da Mulher. A escolha da data não foialeatória. Neste mesmo dia e mês, mas no ano de 1857, operárias de uma fábricade tecido em Nova Iorque, Estados Unidos, entraram em greve. Elas reivindicavamredução da carga horária de 16 para dez horas diárias, melhores condições detrabalho, tratamento digno e salários iguais aos dos homens, pois elas ganhamcerca de um terço do salário deles.

A reivindicação nãofoi tolerada. Após serem reprimidas violentamente, as operárias foram trancadasna fábrica e o prédio incendiado. Cerca de 130 mulheres morreram no atentado.Em 1910, para relembrar o episódio e homenagear todas as mulheres, foi criado oDia Internacional da Mulher durante Reunião da Internacional Socialista emCopenhague.