700 mil reais foram gastos para realizar festa de aniversário da CUT

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Publicado sexta-feira, 29 de agosto de 2003 as 02:09, por: cdb

A festa de 20 anos da Central Única dos Trabalhadores (CUT), realizada na noite da última quinta-feira no Pavilhão Vera Cruz, reuniu o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, três ministros de Estado (Jacques Wagner, do Trabalho, Ricardo Berzoini, da Previdência, e Luiz Dulci, da Secretaria Geral da Presidência), além de parlamentares, sindicalistas de vários países, e também empresários e até banqueiros.

A festa, com shows musicais, de luzes, som e imagens, custou R$ 700 mil e contou com o patrocínio de quatro empresas estatais (Petrobrás, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Correios).

Segundo o diretor de comunicação da CUT, Antonio Carlos Spis, que organizou a festa, ainda não está definido o valor de contribuição de cada uma das estatais.
 
Ele informou, ainda, que a entidade pediu também a colaboração de empresas privadas para organizar a festa, como a Brasil Telecom e Eletropaulo, mas elas ainda não confirmaram participação.

Segundo o presidente da CUT, Luiz Marinho, a presença de empresários e até banqueiros na festa da entidade mostra os novos tempos pelos quais o país está passando, com a eleição de Lula presidente.
 
Entre os vários empresários, estavam presentes José Carlos Pinheiro Neto, vice-presidente da General Motors do Brasil, e Miguel Jorge, vice-presidente do Banco Santander.

– A presença de empresários aqui faz parte do relacionamento que construímos durante as duas décadas de relacionamento que tivemos – disse Marinho.

Para os empresários, participar de uma festa da CUT era uma coisa impensável há alguns anos.

– Os tempos mudaram. Os sindicatos mudaram e os patrões também mudaram, para melhor – disse Pinheiro Neto.

Presente ao evento, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), à exemplo do ministro do Trabalho, Jacques Wagner, negou que haja uma proposta do governo para a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais.

– Essa é uma questão que o fórum trabalhista vai discutir, mas não pode ser uma medida isolada do Brasil. Outros países precisam seguir o exemplo, pois caso contrário o país perde competitividade internacional. Além do que, precisamos ter garantias de que a redução da jornada implicará em abertura de novos postos de trabalho – disse Mercadante, durante a festa da CUT.

O ex-presidente da entidade, Jair Meneguelli, discursou e provocou um momento de descontração do presidente Lula.

– Quando fundamos a CUT, no primeiro congresso, tinha mais de cinco mil sindicalistas e não tínhamos hotel para todos. Por isso, muitos tiveram que dormir aqui (no Pavilhão Vera Cruz), em colchonetes de meio metro. Como fazia muito frio, os homens tiveram que dormir um ao lado do outro, para se esquentar – lembrou Meneguelli. Lula abriu os braços e sorriu.