60 mil europeus morrem a cada ano em função da poluição no ar, diz estudo

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Publicado segunda-feira, 12 de maio de 2003 as 11:21, por: cdb

Cerca de 60 mil pessoas morrem a cada ano na Europa em conseqüência de uma prolongada exposição às partículas contaminantes que se encontram no ar, revela um relatório sobre o meio ambiente na Europa divulgado esta segunda-feira, em Genebra.

A qualidade de água potável é outro motivo de preocupação no estudo, que afirma que mais de 10 por cento da população da União Européia está potencialmente exposta ao consumir água com substâncias contaminantes que “excedem o nível máximo permitido”.

O estudo detalha que as fontes de água em várias regiões da Europa estão sob a ameaça de diversas atividades humanas como a agricultura, que representa 42 por cento do total de consumo de água, e a indústria, com 23 por cento.

Só 18 por cento de água se destina ao consumo humano e outro 18 por cento à geração de energia elétrica.

O documento menciona que a saúde das pessoas e dos ecossistemas estão ameaçados na Europa central e oriental pela água com contaminantes orgânicos e inorgânicos, e metais pesados, em concentrações superiores às permitidas pelas leis internacionais.

A respeito, o diretor-executivo da Agência Européia para o Meio Ambiente (Aema), Gordon McInnes, afirmou que as políticas meio-ambientais adotadas na Europa com o fim de reduzir a produção de resíduos e a pressão sobre os recursos do mar e a terra não foram eficazes.

Ao contrário, “a produção de resíduos e a utilização dos recursos naturais aumenta cada vez mais” declarou o representante da Aema durante a apresentação do relatório em Genebra.

Na Europa ocidental, a quantidade de resíduos industriais aumenta desde meados dos anos 1990 e equivale -em média- a 3,8 toneladas anuais por habitante.

Na Europa central e oriental, cada pessoa produz 4,4 toneladas de resíduos, enquanto nos países do Cáucaso e da Ásia Central – também considerados no estudo – chega a 6,3 toneladas por habitante.

Quanto a resíduos domésticos, cada europeu produz ao redor de 415 quilos por ano. A Islândia é o país que produz mais lixo deste tipo, com 685 quilos por habitante, contra 105 quilos de uma pessoa no Uzbequistão.

Nos Estados Unidos e na Rússia o aumento na produção de resíduos domésticos superou o da Europa ocidental nas últimas duas décadas.

Assim, enquanto na Europa aumentou 38 por cento, nos Estados Unidos o fez em 43 por cento, enquanto que na Rússia o incremento foi espetacular: 127 por cento.

Por outro lado, os japoneses foram os mais limpos entre os países industrializados, com um aumento de geração de lixo de apenas 16 por cento no mesmo período.

McInnes mencionou que o consumo de energia no transporte e as emissões de gases que contribuem para o efeito estufa aumentam “em similar proporção ao tráfego de automóveis”.

O representante da Aema disse que em conseqüência da crescente demanda de transporte terrestre e aéreo, os problemas deste setor se converteram “no ponto central da agenda do desenvolvimento sustentável da Europa”.

Esta preocupação não só implica os países da União Européia, mas também os da Europa central e oriental, onde os níveis de motorização aumentaram 61 por cento na década passada.

O relatório foi preparado por ocasião da conferência ministerial que será realizada em Kiev, na Ucrânia, pela Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa, sob o título “Um Meio Ambiente para a Europa”, entre os dias 21 e 23 de maio.