44 pessoas já morreram no campo este ano, mostra estudo

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 26 de agosto de 2003 as 23:49, por: cdb

O relatório sobre a violência no campo divulgado nesta terça-feira pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) revela que, entre janeiro e agosto deste ano, ocorreram no País 44 assassinatos de trabalhadores rurais e pessoas ligadas à luta pela reforma agrária, como lideranças sindicais e religiosas, advogados.

O número já é superior às 43 mortes documentadas em todo o ano passado e confirma um diagnóstico revelado pela Ouvidoria Agrária Nacional há 10 dias, embora o dado da CPT seja 144% maior do que o apresentado pelo órgão do governo federal.

Das 44 mortes, 26 ocorreram na Região Norte, 10 no Nordeste, 4 no Sul e 4 no Centro-Oeste. Foi a primeira vez, desde 1985, que a CPT divulgou o relatório de forma parcial.

Segundo a diretora de uma das três organizações não-governamentais (ongs) que participam da elaboração do texto, a Rede Social de Justiça e Direitos Humanos, Maria Luisa Mendonça, a apresentação foi uma medida emergencial para esclarecer que os movimentos sociais não estão provocando um caos social no campo.

– A eleição do Lula criou uma expectativa histórica de que a reforma agrária vai ser finalmente realizada no País e, diante disso, forças conservadoras, como a UDR (União Democrática Ruralista e a TFP (Tradição Família e Propriedade), ressuscitam e começam a para tentar criar uma situação falsa de que existe um caos social no campo gerado pelos movimentos sociais. Sim, existe violência no campo, mas ela é contra os trabalhadores rurais, majoritariamente, e em decorrência da concentração da terra – explicou, durante a divulgação dos dados, na sede do Instituto Carioca de Criminalística, em Santa Teresa.

Isabel Cristina Diniz, coordenadora da Pastoral, atribui as mortes à impunidade em relação aos latifundiários e à histórica falta de política pública eficaz para o setor que, segundo ela, se agravou no governo de Fernando Henrique Cardoso. Mas o atual governo, segundo ela, também tem uma parcela de culpa.

“O corte do orçamento é resultado de um governo que fez opção de cumprir exigências só do FMI, renegando o bem estar da população”, disse, se referindo a redução de R$ 360 milhões no orçamento do ano que vem para o Ministério da Reforma Agrária. E completou: “Não basta ter plano (para a reforma agrária). A questão orçamentária tem que ser reavaliada”.