37 mil famílias devem ser assentadas pelo Incra

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Publicado sexta-feira, 25 de abril de 2003 as 17:44, por: cdb

O objetivo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de não priorizar a “quantidade” dos assentamentos rurais está se concretizando. Para este ano, o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) está apontando uma meta de 37 mil famílias assentadas, o que representa menos de 40% do total de sem-terra acampados em todo o país.

Segundo especialistas, o número – divulgado na última terça-feira (22) em forma de portaria no “Diário Oficial” da União – é insuficiente para atender as demandas emergenciais dos movimentos sociais.

– Se o governo quiser acabar com o MST [Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra], basta assentar 150 mil famílias por ano. É simples -, afirmou o geógrafo Bernardo Mançano Fernandes, professor da Unesp (Universidade Estadual Paulista).

Segundo levantamentos recentes da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura) e do Dataluta, banco de dados mantido pelo departamento de geografia da Unesp, existem hoje no país 95.577 famílias de camponeses vivendo debaixo de barracos de lona e à beira de estradas vicinais. No total são cerca de 864 acampamentos.

Desde o início do ano, o MST, ao anunciar a “autonomia” do movimento em relação ao governo petista, tem exigido do Ministério do Desenvolvimento Agrário o assentamento imediato de todos os seus acampados. João Paulo Rodrigues, da coordenação nacional do MST, repetiu na última quinta-feira (24) o discurso: “Prefiro não comentar isso [a meta de 37 mil famílias], pois nós ainda temos da boca do governo a promessa de assentar todas as famílias acampadas ainda neste ano”.

Para o presidente da Contag, Manoel José dos Santos, a meta de assentamentos para 2003 apresentada pelo governo federal tem de ser “lamentada”.

– É claro que existe a necessidade de avançar nas desapropriações e assentar muito mais gente. O argumento [do Lula] de priorizar a qualidade, não pode ser usado para não aumentar o número de assentados -, disse o presidente da Contag.

A intenção petista de deixar em segundo plano as metas para a reforma agrária vem desde a campanha eleitoral do ano passado. À época, o partido não incluiu um número mínimo de assentados em seu programa de governo.

Porém, no ano passado, o próprio PT divulgou um documento no qual constava o objetivo de assentar 500 mil famílias em quatro anos. Em 1994, a promessa era assentar 800 mil famílias.

– Com uma canetada só eu vou dar tanta terra que vocês não vão conseguir ocupar -, disse Lula.

Em 1998, falava em assentar um milhão, caso fosse eleito, durante seu mandato.