30% dos 68 mil ambulantes vivem abaixo da linha de pobreza em SP

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Publicado quinta-feira, 4 de setembro de 2003 as 19:48, por: cdb

Levantamento da Secretaria Municipal do Desenvolvimento e Trabalho mostra que a capital paulista tem, hoje, 68 mil ambulantes trabalhando nas ruas ou praças públicas. Com o aumento do desemprego, 27,2% deles passaram a atuar como camelôs há apenas um ano.

Na outra ponta estão 39,1% que já atuam na área há mais de cinco anos, fazendo da atividade sua fonte permanente de renda.

Do total de ambulantes, 39,5% têm mais de 44 anos, idade considerada difícil para arrumar um novo emprego. Outros 34,8% têm entre 30 e 43 anos; 18% entre 20 e 29 anos e 7,7% entre 9 e 19 anos.

Segundo o estudo, os ambulantes trabalham muito: 48,9% cumprem uma jornada semanal de trabalho acima de 45 horas. Eles também não têm perspectiva de uma aposentadoria. Apenas 9% contribuem para a Previdência Social, contra 26,7% em 1992.

A Prefeitura pesquisou mais informações também com o cadastro de 6.259 ambulantes que fez este ano. Com base nele, descobriu que não há predominância de homens na atividade, 51,2% são homens e 48,8% são mulheres. Nada menos do que 32,1% vivem abaixo da linha da pobreza, com ganho mensal de R$ 360 por mês, inferior a um salário mínimo e meio.

Dos cerca de seis mil ambulantes 67,6% estudaram até a 8ª série do Ensino Fundamental e 16,4% concluíram o Ensino Médio. A maioria não quer continuar na atividade: 52,2% dizem que estão procurando emprego e 73,8% que querem mudar de profissão. Apenas 23,3% dizem que se conformaram em permanecer na atividade.