3 mil pessoas são seqüestradas por ano na Colômbia

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Publicado terça-feira, 6 de maio de 2003 as 16:46, por: cdb

A morte em cativeiro de um ex-governador provincial, um ex-ministro da Defesa e oito militares em poder das Farc colocou em evidência o drama do sequestro na Colômbia.

De acordo com as autoridades, na Colômbia são registrados a cada ano 3.000 sequestros de civis e militares, nacionais e estrangeiros, adultos e crianças, um número sem paralelo no resto do mundo.

Nove em cada dez sequestros são de caráter extorsivo, ou seja, têm o objetivo de conseguir um pagamento em troca dos reféns. Mas as guerrilhas e os grupos paramilitares de extrema direita – inimigos das Farc – também sequestram por motivos políticos.

O alto comando militar afirma que a “criminosa indústria do sequestro” abastece a cada ano os diversos grupos ilegais colombianos com mais de US$ 600 milhões.

Sequestradores

As autoridades atribuem a maior parte dos sequestros às Farc, que têm 17 mil membros, e ao guerrilheiro Exército de Libertação Nacional (ELN, 4.000 membros), seguidos por delinquentes comuns organizados e os paramilitares das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC, 11 mil membros).

Muitas pessoas sequestradas por esses criminosos comuns organizados, principalmente nas cidades, são entregues, em troca de dinheiro, aos guerrilheiros e paramilitares, que as levam para as florestas e montanhas e se encarregam de negociar o resgate com os familiares das vítimas, segundo o comando anti-sequestro (Gaula) das forças de segurança.

A estatística, no entanto, pode ser ainda maior se for levado em consideração que 10% dos sequestros cometidos na Colômbia não são denunciados, de acordo com entidades privadas, que também sustentam que muitas vítimas continuam desaparecidas ou morrem nas mãos dos sequestradores, mesmo depois do pagamento do resgate.