28 pessoas indiciadas por tráfico de órgãos

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Publicado domingo, 21 de dezembro de 2003 as 14:17, por: cdb

A juíza federal Amanda Torres acatou a denúncia sobre a atuação de uma quadrilha internacional de tráfico de órgãos no Recife feita pelo Ministério Público Federal (MPF). Ao todo, 28 pessoas foram indiciadas pela instituição, que solicitou prisão preventiva de 11 desses. Outras 16 pessoas respondem o processo em liberdade e um está foragido.

Segundo o Procurador da República, Anastácio Nóbrega Tahim Júnior, a quadrilha funcionava no Recife como uma ramificação transnacional.

– Este grupo atua em vários países como a Romênia, Rússia, Israel e Estados Unidos – revelou.

Segundo o Procurador, a investigação ainda não está completa e existem alguns pontos que devem ser investigados. “Com certeza há muitas outras pessoas envolvidas. E os atos suplementares irão denunciar outros suspeitos”, revela. Anástácio alega que a rapidez no processo de apuração teve como objetivo evitar a divisão do grupo, depois que um médico acusado de envolvimento no tráfico internacional de órgãos da África do Sul acabou sendo preso por policiais daquele país.

Anastácio explica que a quadrilha possuía uma hierarquia. Quem comandava o grupo era o Israelense Gedalya Tauber, que tinha assessores, diretores e vendedores-aliciadores – pessoas que já haviam passado pela cirurgia e que agora procuravam novos vendedores de órgãos.  Segundo o MPF, cada aliciador ganhava mil reais por pessoa. As investigações afirmam que 15 pessoas teriam vendido os rins a quadrilha, que já funcionava na cidade há cerca de um ano.

Os acusados de integrarem a organização podem pegar até 50 anos de prisão por formação de quadrilha, intermediação, obtenção de vantagem e comercialização ilícita. Já as pessoas que venderam os rins poderão pegar de três a cinco anos de prisão.


A quadrilha foi presa pela Polícia Federal no dia 2 de dezembro. Esta foi a primeira vez que uma quadrilha de tráfico de órgãos foi presa no Estado. Segundo a Polícia Federal, o grupo oferecia dinheiro em troca de rins e fazia a operação de retirada do órgão na cidade de Durban, na África do Sul. Depois da operação, cada rim era vendido no mercado clandestino. A descoberta dessa quadrilha na Capital pernambucana acabou levando a instalação da CPI do Tráfico de Órgãos na Assembléia Legislativa.