Zapatero evita apoiar Brasil no Conselho de Segurança da ONU

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Publicado segunda-feira, 24 de janeiro de 2005 as 20:54, por: cdb

Em sua primeira visita oficial ao Brasil, o primeiro-ministro socialista da Espanha, José Luís Rodríguez Zapatero, não deu seu apoio ao acesso do País ao restrito grupo de membros-permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Cercado por uma hábil diplomacia, Zapatero tampouco assinou qualquer documento que indicasse uma possível mudança da posição mantida pela Espanha.

Simplesmente defendeu a ampliação do Conselho de Segurança, sem entrar em detalhes sobre a decisão espanhola, e esquivou-se de enfrentar a demanda mais ambicionada pelo governo Luíz Inácio Lula da Silva.

– O Brasil é um país determinante para a futura conformação da ordem internacional – afirmou Zapatero, para logo em seguida elogiar a “liderança crescente em âmbito ibero-americano” do seu anfitrião, bem como a projeção do Brasil na África e na Ásia.

– O multilateralismo é a única maneira de ver uma ordem justa no mundo. Queremos as Nações Unidas como o grande fórum para a condução dos problemas internacionais. Temos a necessidade de reforma do Conselho de Segurança da ONU, de sua ampliação, para que possam estar presentes países com grande relevância na ordem internacional.

Em nenhum momento, entretanto Zapatero explicou a posição oficial que herdou do conservador José María Aznar e que decidiu manter, sem alterações. A Espanha defende a reforma do Conselho, com a ampliação apenas dos membros não-permanentes. A posição espanhola não contempla o aumento do restrito grupo de cinco países, que são os membros efetivos e que têm o direito a vetar as decisões, mesmo as majoritárias. Mesmo que venha a alterar essa postura, dificilmente a Espanha viria a apoiar o Brasil, em detrimento de países com os quais mantém elos histórico e cultural extremamente fortes, como o México e a Argentina, os dois outros candidatos latino-americanos.

Ciente dessa situação, o presidente Lula não insistiu no tema. Apenas declarou, no Palácio do Planalto, que a Espanha e o Brasil compartilham a defesa do fortalecimento do multilateralismo e a reforma da ONU.

Na Declaração de Brasília, que consagrou o encontro, ambos os líderes somente se comprometeram a trocar opiniões sobre o tema.

– Trabalhamos juntos para ampliar a eficácia da Assembléia-Geral e a representatividade do Conselho de Segurança –  limitou-se a afirmar Lula, em seu discurso.

Na Declaração de Brasília, Lula e Zapatero decidiram que nos foros multilaterais, deverão dar apoio recíproco às candidaturas de ambos os países. Mas, outra vez, não se mencionou claramente o apoio do espanhol ao embaixador Luiz Felipe de Seixas Corrêa, candidato brasileiro à direção-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC). Em princípio, como membro da União Européia, a Espanha apoiará o francês Pasqual Lamy nesse páreo.

Apesar dessas frustrações, o Brasil e a Espanha decidiram manter o apoio recíproco às suas campanhas de inserção no contexto internacional. O governo brasileiro reiterou seu aval à “Aliança das Civilizações, lançado por Zapatero na ONU, em setembro passado, com o objetivo de promover o diálogo entre o Ocidente e o mundo árabe. O espanhol também endossou a Iniciativa contra a Fome e a Pobreza, organizada por Lula, e ingressou no clube de defensores dessa idéia, composto também pelo Chile e pela França.