Yves Saint Laurent se despede em grande estilo do mundo da moda

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Publicado quarta-feira, 23 de janeiro de 2002 as 19:22, por: cdb

Yves Saint Laurent deu adeus às passarelas, no Centro Georges Pompidou, em Paris, com um exército de modelos desfilando para cerca de duas mil pessoas. Na fachada do edifício, fotos gigantes do estilista com suas iniciais grafadas em neon, além de dizeres que deixaram a marca de sua personalidade no mundo da moda, como “sem elegância no coração, não há elegância”. Na passarela estavam os modelos representativos dos seus 40 anos de carreira, nos quais ele construiu um dos maiores impérios da moda. Jaquetas brilhantes bordadas, recriando obras de Picasso e Van Gogh, blusa transparente, jaqueta safari, entre outras peças.

Catherine Deneuve, diva do cinema francês, cantou pra Yves-Sant Laurent, dando margem às lágrimas da platéia. Nela notava-se a presença da primeira-dama francesa Bernadette Chirac e da ex-primeira-dama Danielle Mitterrand, estilistas como Jean-Paul Gaultier, Vivienne Westwood e Hubert de Givenchy, atrizes como Jeanne Moreau e Laetitia Casta, entre outros famosos. Depois desta noite, a maison de Yves Saint Laurent, 65 anos, o maior estilista da segunda metade do século 20, irá fechar as portas. O descanso do guerreiro representa o fim de uma era.

Além de possuir um histórico perturbado por drogas, álcool, depressão e estresse, YSL, sigla como ficou conhecido, começou a demonstrar insatisfação quando sua empresa foi vendida, em 1998, para o grupo italiano Gucci, de Domenico Del Sole, e o texano Tom Ford, diretor de criação do grupo, responsável pelo estilismo da Gucci, começou a desenhar a Yves Saint Laurent Rive Gauche, prêt-à-porter feminino da marca. A St. Laurent coube então, através da milionária negociação, a responsabilidade pela criação dos modelos de alta costura de sua maison.

No dia 9 de janeiro – ao anunciar sua saída do mundo da moda – ele causou uma comoção nacional em toda a França. Na ocasião, YSL fez, apesar de sua conhecida timidez, um pequeno resumo de sua contribuição à evolução dos costumes. “Durante todo esse tempo, tenho razões para acreditar que criei o guarda-roupa da mulher contemporânea e que meu esforço contribuiu para a transformação de uma era. Meu trabalho foi feito através das roupas, certamente menos importantes que a música, arquitetura, pintura e outras expressões artísticas. Mas sinto-me orgulhoso de ver mulheres de todo o mundo usando calça comprida, terno e blazer.”