Yushchneko vai a Moscou para encontro com Putin

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Publicado segunda-feira, 24 de janeiro de 2005 as 10:04, por: cdb

O novo presidente da Ucrânia parte para Moscou nesta segunda-feira a fim de discutir com o presidente Vladimir Putin até onde aproximará seu país do Ocidente e se afastará da Rússia, sua tradicional parceira. Comentaristas russos acreditam que Putin questionará o recém-empossado Viktor Yushchenko sobre seus planos econômicos e de política externa.

– A lista de perguntas do Kremlin para o novo presidente da Ucrânia é bem conhecida – escreveu a comentarista Natalya Alekseyeva no jornal Izvestia.

– Como será formada a política exterior da Ucrânia? Quem vai liderar o governo e o seu bloco econômico? Quais das promessas do (ex-presidente Leonid) Kuchma serão mantidas e quais serão esquecidas? – disse ela.

A viagem-relâmpago ao Kremlin cumpre a promessa de Yushchenko de considerar Moscou como seu primeiro destino como presidente, para manter os elos com seu importante parceiro comercial.

Ela também parece destinada a desfazer um mal-estar entre os dois homens depois do apoio público de Putin ao concorrente de Yushchenko na conturbada campanha eleitoral. Putin não participou da posse de Yushchenko neste domingo.

Yushchenko embarcará para uma viagem para o oeste e centro da Europa ainda nesta semana. Ele ressaltou que a Rússia continua sendo um “parceiro estratégico” para a Ucrânia – a Ucrânia depende muito do fornecimento de energia da Rússia.

Mas comentaristas russos disseram que o Kremlin quer saber se Yushchenko está comprometido com a formação de uma zona econômica ao lado da Rússia, Belarus e Cazaquistão. Yushchenko deixou claro quais são suas prioridades no discurso que concedeu domingo na Praça da Independência.

– Nosso caminho para o futuro é o de uma Europa unida. Nós, junto com o povo da Europa, pertencemos a uma civilização. Compartilhamos valores similares – afirmou após ser empossado no Parlamento.

No discurso de 20 minutos, ele não mencionou a Rússia, que administrou os assuntos da Ucrânia durante três séculos – até a independência de Kiev do domínio soviético, em um referendo de 1991.