Yushchenko toma posse na Ucrânia

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Publicado domingo, 23 de janeiro de 2005 as 14:18, por: cdb

Viktor Yushchenko tomou posse como presidente da Ucrânia neste domingo, pondo fim a semanas de instabilidade no país e abrindo o caminho para que ele cumpra suas promessas de aproximar a ex-república soviética da Europa, mantendo ao mesmo tempo os laços tradicionais com a Rússia.

Yushchenko leu o juramento de posse com sua mão sobre uma antiga Bíblia e sobre a constituição, durante uma cerimônia no parlamento com centenas de pessoas presentes, entre elas o secretário de Estado americano, Colin Powell, e presidentes de sete países, todos ex-repúblicas soviéticas. Sessenta delegações estrangeiras acompanharam a solenidade.

Telões transmitiram a posse a uma multidão na Praça da Independência, onde se reuniam os eleitores de Yushchenko durante os protestos que levaram à realização de novas eleições na Ucrânia, e que ficaram conhecidos como Revolução Laranja, cor das roupas usadas pelas pessoas que apoiavam Yushchenko.

A primeira eleição, em novembro, foi vencida pelo candidato apoiado por Moscou, Viktor Yanukovich. Inúmeras denúncias de irregularidades levaram multidões de protestantes às ruas por dias seguidos. Investigações levaram a um processo julgado pela Suprema Corte ucraniana, que ordenou uma nova votação em 26 de dezembro. Dessa vez, Yushchenko venceu por uma margem confortável de votos.

Pouco antes de se tornar o terceiro presidente da história da Ucrânia, Yushchenko, de 50 anos, se encontrou com Powell.

– Quero te assegurar que você continuará a ter o apoio total do governo americano e do povo americano nos esforços para realizar aquilo que o povo ucraniano espera – Powell disse ao presidente ucraniano.

O secretário americano disse que o encontro lidou com a “ativação de esforços ucranianos em direção à integração internacional. Isso inclui a perspectiva de a Ucrânia adquirir uma economia de mercado”. Isso, Powell disse, será vital para que o país possa entrar na Organização Mundial de Comércio.

– Estou feliz de ter vivido até este tempo em que o presidente da Ucrânia é eleito não em Moscou, nem em Washington, mas na Ucrânia. Isso não teria acontecido se não tivéssemos parceiros defendendo princípios democráticos. E eu certamente incluo nesta lista os Estados Unidos da América e sua contribuição pessoal – disse Yushchenko.

Yushchenko, ex-primeiro ministro e presidente do Banco Central do país, se elegeu defendendo o combate à corrupção e a construção de uma economia transparente e de instituições que permitam ao país se aproximar da Europa. A Ucrânia faz fronteira com a União Européia, que hoje conta com 25 países membros.

Na segunda-feira, Yushchenko cumprirá a promessa de fazer de Moscou sua primeira destinação em viagens diplomáticas, encontrando-se com o presidente russo Vladimir Putin. no sábado, ele pediu um fim às divisões entre os nacionalistas da Ucrânia ocidental e os ucranianos do leste, mais próximos da Rússia. A oposição entre as duas partes do país foi acentuada pela disputa eleitoral, marcada pela notícia de que Yushchenko havia sido envenenado com dioxina, o que deixou seu rosto desfigurado.

O programa de Yushchenko para esta semana também inclui visitas ao Conselho da Europa, uma organização de direitos humanos, ao parlamento europeu, ao Fórum Econômico Internacional na Suíça e a comemorações na Polônia da liberação do campo de concentração Auschwitz pelo exército soviético