Yahoo! não revela emails de militar morto no Iraque

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Publicado terça-feira, 11 de janeiro de 2005 as 19:47, por: cdb

Quando o militar americano Justin Ellsworth morreu no Iraque, seu pai decidiu fazer uma homenagem a sua memória utilizando os emails que ele escreveu e recebeu enquanto esteve no Oriente Médio.

Mas o portal da internet Yahoo! se nega a liberar as mensagens. O fato vem gerando polêmica: a quem pertence um email após a morte de seu dono?

O sargento da polícia John Ellsworth, pai de Justin, inaugurou um polêmico debate sobre privacidade nos Estados Unidos.

Ele trava agora uma batalha jurídica com o Yahoo!. Seu filho, um fuzileiro naval que servia em Falluja, morreu na explosão de uma bomba à beira da estrada.

Tempo livre

Sua morte aconteceu no início de novembro, menos de dois meses após sua chegada ao Iraque. Nesse curto período, ele passou boa parte do seu tempo livre enviando mensagens aos colegas nos Estados Unidos, utilizando o serviço Yahoo! webmail.

“Ele mantinha uma espécie de diário, para guardar para a história no futuro”, disse John Ellsworth à BBC. “Ele queria assegurar que a sua geração, assim como as próximas, tivessem acesso às palavras de quem esteve lá.”

Mas o pai ficou surpreso quando o Yahoo! negou um pedido para que liberasse o acesso aos emails do filho, alegando ser obrigado a garantir a privacidade.

O Yahoo! afirma que precisa honrar o contrato de serviço que todos os seus 40 milhões de assinantes de email nos Estados Unidos tiveram de assinar.

Essas condições de uso estabelecem que os sobreviventes não têm o direito de herdar as contas de email dos mortos. As contas do Yahoo! são desativadas automaticamente caso não sejam utilizadas por um período de 90 dias consecutivos.

Outras grandes empresas do mercado de webmail, como AOL e Hotmail, têm procedimentos de transferências do email dos mortos para seu familiar mais próximo.

Perseverança

John Ellsworth, entretanto, diz que não vai desistir. Após semanas tentando desvendar a senha da conta de email do filho, ele levou a história para a imprensa e contratou advogados.

O caso divide a opinião pública americana. Alguns apelam ao Yahoo! para que mostre compaixão e faça uma exceção. De outro lado, ativistas em defesa da privacidade acreditam que não deve haver exceções.

Quem, afinal de contas, é o proprietário do email após a morte do usuário?

Liegh Ellis, consultor de tecnologia na Grã-Bretanha, diz que, pelo menos em seu país, os emails são como qualquer propriedade. Ficam, portanto, com os beneficiários da pessoa que morre.

Mas o caso de Ellsworth aparentemente está detalhado em uma cláusula do contrato do Yahoo!, dizendo que uma conta particular é intransferível e desativada com a morte do usuário.

Uma outra cláusula do contrato do Yahoo!, no entanto, pode dar margem a manobras legais. De acordo com a empresa, o sigilo de seu conteúdo pode ser quebrado caso solicitado por lei ou visando a uma “atitude de boa fé. “

O caso de Justin Ellsworth ainda não foi resolvido.

Mas especialistas recomendam que problemas como esse podem ser evitados – caso a senha do Yahoo! seja dada a uma pessoa da confiança do usuário.