Votação sobre Iraque é adiada

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 11 de março de 2003 as 10:52, por: cdb

Estados Unidos e Grã-Bretanha decidiram adiar a votação desta terça-feira sobre uma nova resolução no Conselho de Segurança que dê um ultimato para o Iraque. França e Rússia ameaçam vetar a proposta.

Na segunda-feira, o primeiro escalão do governo norte-americano ainda se empenhava pessoalmente em angariar os votos necessários para a resolução. Mas em seguida ficou claro que a proposta deveria ser rechaçada na sessão aberta do Conselho, marcada esta terça-feira. Por isso, segundo diplomatas, EUA e Grã-Bretanha decidiram adiar a votação até pelo menos quinta-feira.

A decisão não afasta os temores de uma guerra – prova disso é que os mercados asiáticos sofreram forte queda na terça-feira, e o índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, fechou no seu menor nível em 20 anos.
Também na terça-feira acontece em Viena uma reunião de ministros da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) para discutir a crise.

A Arábia Saudita tenta tranqüilizar o mundo dizendo que ainda tem muita capacidade ociosa de produção, e que por isso não deve haver disparada nos preços.

O governo de George W. Bush quer ir à guerra no Iraque para eliminar as armas de destruição em massa do país, cuja existência Bagdá nega. A Casa Branca diz que a autorização da ONU é desejável, não necessária.

Os EUA recuaram da votação em parte por causa do seu alto custo político para aliados como o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, que enfrenta uma rebelião contra a guerra dentro de seu próprio partido, o Trabalhista.

Também nos Estados Unidos há oposição. Na segunda-feira, o diplomata John H. Brown renunciou a seu cargo, em protesto contra a forma como o governo conduz a crise. É o segundo diplomata dos EUA a tomar essa atitude em menos de um mês.

O impasse em torno do Iraque chegou a um pico na segunda-feira, quando o presidente da França, Jacques Chirac, confirmou a intenção de vetar uma resolução que dê até o dia 17 para o Iraque se desarmar.
“A França vai votar ‘não’ porque considera hoje que não é preciso uma guerra para atingir o objetivo a que nos dispusemos, que é o desarmamento do Iraque”, afirmou Chirac em entrevista à TV.

Em visita ao Irã, o chanceler russo, Igor Ivanov, também reiterou a intenção de seu país de vetar a proposta.

Até agora, a resolução conta com apenas quatro dos 15 votos no Conselho – EUA, Grã-Bretanha, Espanha e Bulgária. França, Rússia, China, Alemanha e Síria são contra. Paquistão, Chile, México, Angola, Camarões e Guiné continuam indecisos.

Para ser aprovada, a resolução precisa de nove votos. Os EUA acham que, mesmo que haja veto, essa maioria já demonstraria a legitimidade da guerra.

O porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, disse que o texto pode ser modificado para que receba mais apoio. Uma das hipóteses é criar metas periódicas para o desarmamento iraquiano. “Ainda é cedo para dizer o que estará no documento a ser votado”, afirmou.

Bush telefonou para seu colega chinês, Jiang Zemin, mas parece ter conseguido poucos avanços. A China disse na terça-feira que considera a resolução desnecessária, mas não chegou a ameaçar com o uso do veto.

Em busca de votos, o secretário de Estado, Colin Powell, telefonou para os presidentes de Angola e do Paquistão e para o chanceler do México. Já o ministro francês das Relações Exteriores, Dominique de Villepin, concluiu uma viagem aos três países africanos do Conselho – Angola, Camarões e Guiné, que permanecem indecisos.

O primeiro-ministro espanhol, José María Aznar, que também defende a ação militar, disse que França, Rússia e China estão agindo por conta de seus “interesses materiais” no Iraque.