Voluntário na doação de sangue podem ter surpresa aterradora

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Publicado segunda-feira, 1 de outubro de 2001 as 09:28, por: cdb

Alguns dos norte-americanos que acudiram para doar sangue a fim de ajudar os feridos nos atentados terroristas de 11 de setembro em Nova York e Washington estão tendo um choque pessoal: suas doações foram rejeitadas devido a indícios de doenças perigosas.

Duas semanas depois da tragédia, as primeiras cartas e os primeiros telefones começaram a ser recebidos por doadores em cujo sangue foram encontrados vírus da Aids, hepatite e outros agentes infecciosos.

Para as pessoas que só queriam ajudar, a notícia pode ser devastadora.

“É uma coisa realmente muito difícil de dizer”, declarou Thelma King Thiel, diretora da Hepatitis Foundation International, que recebeu chamadas de doadores de sangue surpresos ao saber que seriam portadores de vírus.

Os bancos de sangue examinam as doações para impedir a passagem de HIV, hepatite B e C, sífilis e outros antigenes. Devido ao risco de enganos, o sangue supostamente contaminado é enviado para mais testes a fim de confirmar as infecções.

Esses exames levam geralmente vários dias para ficarem prontos. Mas os contactos com os doadores infectados – uma prática-padrão adotada pelos bancos de sangue – está levando mais tempo, devido à avalanche de doações que foram feitas após os ataques de 11 de setembro.

Muitos dos doadores haviam dado sangue pela primeira vez. No National Institutes of Health, 65 por cento das pessoas que deram sangue nas últimas duas semanas o fizeram pela primeira vez, disse o dr. Harvey Klein.

Os doadores voluntários são em geral pessoas saudáveis, que tendem a evitar atividades de alto risco, tal como o uso de drogas injetáveis. Eles, por outro lado, não costumam fazer exames de sangue, o que pode aumentar o choque e a surpresa ao saber que estariam infectados.

“Todos ficam assustados e com medo”, disse Thiel. “Eles, provavelmente, não têm sinais ou sintomas; alguns chegam a pensar que vão morrer”.

O HIV aparece em uma de cada 50 mil a 200 mil doações, de acordo com os especialistas. A hepatite é mais comum, sendo detectada em uma de cada 10 mil a 50 mil doações, dependendo do tipo do vírus.