Vitória por 1 cm deu redenção a Maurren Maggi

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Publicado terça-feira, 26 de junho de 2012 as 06:30, por: cdb
atletismo
Maurren foi a primeira brasileira a conquistar o ouro em provas individuais

Por apenas um centímetro, a atleta Maurren Higa Maggi e o atletismo brasileiro tiveram um “dia mágico” em 22 de agosto de 2008, quando a brasileira conquistou o ouro na prova de salto em distância nas Olimpíadas de Pequim, com a marca de 7,04 m.

O salto de Maurren foi obtido logo na primeira tentativa. Depois, ela esperou a russa Tatiana Lebedeva saltar seis vezes para tentar, sem sucesso, superar a marca – a adversária chegou apenas a 7,03 m.

– A memória mais forte que tenho daquele dia é de quando vi o placar e que (Lebedeva) tinha saltado 1 cm a menos. Foi o momento mais importante da minha vida – relembra Maurren em entrevista à BBC Brasil. “Não conseguia acreditar. Depois, só me lembro de ficar andando em círculos.

– Foi um dia mágico. Eu estava muito bem, ansiosa para competir – prossegue – As pessoas ao meu redor perceberam isso, alguns me disseram que estava escrito na minha testa que eu ia ganhar.

Esse dia de pódio e glórias, porém, foi precedido de dois anos e meio parada e do abandono da vida esportiva.

Em 2003, ano em que Maurren despontava como uma das principais esperanças de medalhas para o Brasil, a atleta foi pega num exame de doping realizado fora de competição.

O exame identificou no corpo da atleta a substância clotebol, vetada por produzir um aumento de força muscular. Maurren culpou uma pomada cicatrizante usada após uma sessão de depilação.

Questionada se o sonho de uma medalha olímpica havia sido arruinado naquele momento, Maurren disse: “Não só o sonho da medalha. Tudo tinha sido arruinado”.

Maurren foi suspensa por dois anos e chegou a desistir da carreira atlética.

Retomada

A vontade de voltar ao esporte surgiu quando a filha da atleta, Sofia (atualmente com sete anos), completou seu primeiro ano de vida. A rotina de treinos foi dura. Depois de dois anos parada e de uma gravidez, “o corpo não respondia”.

Em compensação, ela diz que estava determinada a voltar a ser competitiva. “O principal está na cabeça, tem que se concentrar e ter uma meta.” Ela retomou a rotina de competições em 2006 e, no ano seguinte, foi ouro no Pan-Americano.

Depois veio Pequim-2008, com o salto que deu ao Brasil a primeira medalha de ouro feminina em uma prova individual. Foi também o primeiro ouro do atletismo em 24 anos – o anterior fora de Joaquim Cruz, na prova de 800 m dos Jogos de Los Angeles-1984.

A volta por cima é difícil de explicar, diz a atleta. “Não é só uma questão de treinar. Muito é (resultado de) querer de volta o que haviam tirado de mim. Mas nunca senti que tinha que provar nada para ninguém. Era algo pessoal.”

Futuro

Aos 37 anos, a paulista de São Carlos treina pelo São Paulo FC (com quem tem contrato até janeiro) e se prepara para tentar a sorte – e o bi – nos Jogos de Londres-2012.

Em maio, Maurren venceu o GP Internacional de Atletismo, em São Paulo, com um salto de 6,85 m – marca que a deixa entre as melhores no ranking da temporada, mas ainda longe do salto da norte-americana Brittney Reese, de 7,12 m.

Após cirurgia e lesões, Maurren ainda quer saltar o ‘seu máximo’ (Foto: Rafael Zito/Divulgação)

Questionada se Reese é sua maior adversária, ela diz pensar isso de “todas que estão na competição comigo”.

Agora, superadas uma cirurgia no joelho e lesões, ela se diz determinada a tentar um salto acima dos 7 metros em Londres, sem no entanto se preocupar em superar as marcas de Pequim, mas sim de “saltar o meu máximo”.

– Talvez Pequim tenha sido a maior prova da minha vida, mas encaro todas as provas assim – afirma.