Vírus causa hemorragia entre refugiados afegãos no Paquistão

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Publicado quinta-feira, 4 de outubro de 2001 as 16:20, por: cdb

Uma doença hemorrágica potencialmente fatal atingiu a região da fronteira entre Paquistão e Afeganistão e os médicos disseram nesta quinta-feira que temem uma epidemia entre os refugiados.

“Tivemos 60 casos desde junho”, disse Taj Mohammed, do Hospital Fatima Jinnah Chest, em Quetta. “Oito pessoas morreram até agora. Nunca vi nada parecido e há risco de uma epidemia entre refugiados afegãos”, disse Mohammed.

Os sintomas da doença são compatíveis com a Febre Hemorrágica da Criméia-Congo. Entretanto, a OMS (Organização Mundial de Saúde) ainda não confirmou nenhum caso da febre.

“Uma missão da OMS foi a Quetta, mas a organização está pedindo às pessoas para que não tirem nenhuma conclusão imediata até que a investigação seja concluída”, disse Eric Falt, porta-voz da OMS, em Islamabad. “Não é o ebola, mas é um vírus semelhante ao ebola”, disse.

O vírus pode ser endêmico em algumas regiões do Afeganistão, mas não há precedentes para o número de atingidos registrados em Quetta. Os doentes são todos homens, pobres e originários da província paquistanesa do Baluchistão, de acordo com médicos. Cerca de 12 pacientes eram afegãos.

Os doentes foram mantidos em unidades de isolamento e separados dos outros 250 leitos do hospital por uma cerca de arame farpado.

A doença é transmitida por carrapatos que atacam animais e os humanos ficam vulneráveis quando vivem próximos a rebanhos de ovelhas e cabras. O vírus é disseminado por urina, fezes, sangue e saliva.

“Os sintomas são sangramento nasal, retal e até cutâneo”, disse Mohammed.

Com a possível entrada de mais um milhão de refugiados afegãos no Paquistão, em função da possibilidade de ocorrer um ataque contra o país, os médicos temem que o vírus possa se espalhar rapidamente entre os recém-chegados.

“A possibilidade de uma epidemia deve ser considerada com muita seriedade”, disse Mohammed.

Para o especialista em tecnologia médica Javed Akbar o único perigo de um surto grave é a possibilidade dos animais também virem junto com os refugiados afegãos. “Sem animais, não há risco”, disse Akbar.

As autoridades da província começaram a pulverizar os animais este ano para tentar controlar os carrapatos.

O primeiro caso conhecido da doença ocorreu entre as tropas soviéticas na guerra da Criméia, em 1944. Depois foram registrados casos entre habitantes de uma região perto de Kisangani, no Congo, em 1956.