Virgílio mantém possibilidade de disputar presidência da Câmara

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Publicado terça-feira, 11 de janeiro de 2005 as 15:04, por: cdb

Mesmo após mais uma conversa no Palácio do Planalto, o deputado Virgílio Guimarães (PT-MG) manteve a possibilidade de lançar seu nome à presidência da Câmara, em meio aos esforços do partido para fortalecer Luiz Eduardo Greenhalgh (SP), candidato oficial para substituir João Paulo Cunha (SP).

“A possibilidade existe, eu nunca neguei isso. Vou decidir se saio ou não no meu prazo, no meu cronograma. Vou ouvir todas as pessoas e ver o que é melhor”, afirmou Virgílio nesta terça-feira, após se encontrar com o ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo.

Virgílio vem repetindo o discurso de defesa da “instituição” da candidatura avulsa, mesmo com tentativas de petistas de convencê-lo do contrário. Ele conversou nesta terça-feira com o prefeito de Belo Horizonte, o petista Fernando Pimentel, e chegou a se encontrar na semana passada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Todos eles ouvem de Virgílio que a “candidatura avulsa” é uma posição que já foi defendida pelo PT, mas que ainda não tomou uma posição definitiva. A postura do deputado mineiro é fortalecida graças ao apoio recebido de parlamentares da base aliada, que compõem o movimento chamado de “Câmara Forte”.

Na segunda-feira, foi divulgada informalmente uma pesquisa encomendada ao instituto Sensus na qual Virgílio aparece como vitorioso em todos os cenários, seja no confronto direto com Greenhalgh, seja na disputa com o líder do PFL, José Carlos Aleluia (BA).

“Os números estão aí, eles são incontestáveis… Nas minhas conversas com as lideranças dos partidos, os números são muito parecidos, para não dizer que são iguais”, disse o deputado.

A bancada do PT na Câmara escolheu o nome de Greenhalgh por consenso, após outros postulantes à presidência, entre eles Virgílio, desistirem da candidatura. Mas com o lobby feito pelo “Câmara Forte”, o parlamentar mineiro revisou sua posição e passou a criticar o processo interno de escolha do sucessor de João Paulo.

A possibilidade de candidatura de Virgílio debilita Greenhalgh. Alguns líderes de partidos da base governista têm dito que o PT precisa resolver essa questão para garantir o apoio dos aliados à eleição do deputado paulista.

Virgílio estaria descontente com setores do PT paulistano e tem criticado o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, e o presidente do partido, José Genoino, por supostamente interferirem na definição da bancada.

Chegou-se a especular que o deputado poderia ser compensado com algum cargo no governo ou uma posição de maior destaque dentro do partido ou na própria Câmara. Ele, no entanto, nega isso.

“Não serei candidato ao Senado (em 2006), não estou fazendo cena para aparecer para angariar votos ao Senado… Não quero ser presidente do PT, não quero receber a presidência de uma comissão permanente na Câmara. Sobre o meu futuro político, eu sei o que eu não quero, ainda não defini o que quero”, enfatizou Virgílio.