Violência explode no Iraque: 40 mortos

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Publicado quarta-feira, 31 de maio de 2006 as 10:20, por: cdb

O novo premier do Iraque, Nuri al-Maliki, prometeu, nesta quarta-feira, usar “mão de ferro” contra gangues que ameaçam a segurança na cidade de Basra, rica em petróleo e tomada por uma disputa entre facções xiitas rivais. Maliki disse que vai declarar estado de emergência em Basra por um mês, segundo uma fonte do governo iraquiano.

 Ele viajou para Basra a fim de interromper um conflito interno que pode prejudicar as exportações de petróleo do país.

Ressaltando que a segunda maior cidade do Iraque era crucial para a economia do país, ele afirmou a líderes locais, em um pronunciamento transmitido ao vivo por um canal estatal de TV:

– Vamos investir com mão de ferro contra os cabeças das gangues que estão manipulando a segurança. A segurança vem em primeiro, em segundo e em terceiro lugares. Precisamos deixar isso claro – disse.

Os Estados Unidos esperam que o governo de unidade nacional comandado por Maliki seja capaz de coibir a guerrilha e a violência sectária que ameaçam dividir o Iraque.

Mas há poucos sinais de que a onda de assassinatos e ataques de vingança esteja cedendo. Uma série de atentados a bomba matou ao menos cem pessoas nesta semana, principalmente em Bagdá. Muitas das vítimas eram civis.

A polícia disse ter encontrado 42 corpos nas últimas 24 horas em diferentes partes da capital. Muitos apresentavam sinais de bala, estavam amarrados e tinham marcas de tortura.

Também em Bagdá, homens armados mataram Ali Jaafar, âncora de um programa esportivo, quando ele saía de casa, afirmaram as forças de segurança. Vários jornalistas da estação custeada pelo governo foram atacados por insurgentes na violenta campanha que tenta derrubar do poder os atuais líderes iraquianos, aliados dos EUA.

Mais ao norte, o prefeito de Muqdadiya, o irmão dele e um primo foram mortos quando uma bomba plantada no escritório dele explodiu.

Apesar de o sul iraquiano, majoritariamente xiita e patrulhado pelas forças britânicas, apresentar um nível mais baixo de violência do que as áreas sunitas patrulhadas pelos norte-americanos, Basra transformou-se em um lugar perigoso nos últimos meses.

<b>DISPUTA PELO PODER</b>

A instabilidade em Basra aumentou em meio a uma disputa entre grupos xiitas depois da deposição do governo de Saddam Hussein, dominado pelos sunitas.

Xiitas e sunitas, minoritários no país, foram atingidos pela recente onda de violência na área.
Dois soldados britânicos foram mortos em um suposto atentado a bomba em Basra, no domingo, durante o mês mais sangrento para as forças da Grã-Bretanha desde a invasão.

Maliki, um dos líderes da Aliança Unida Xiita, que domina o Iraque pós-Saddam, disse que mandaria as forças de segurança elaborarem um plano urgente para restabelecer a calma em Basra.

– Devo dizer-lhes que este governo e todos os iraquianos decentes não verão a estabilidade enquanto esta cidade não estiver estável, enquanto a crise na qual nos encontramos não estiver superada – afirmou.

Na terça-feira, dez dias depois de tomar posse à frente de uma grande coalizão da qual participam sunitas, xiitas e curdos, o novo premiê disse que estava pronto para usar a força contra as “gangues” que fazem chantagem usando a exportação de petróleo e de outros produtos.

Basra, cujo petróleo responde por quase toda a renda do governo iraquiano, é bastante cobiçada por todos os envolvidos.

As facções da Aliança que se enfrentam são a organização armada Badr, o partido Fadhila, do governador da Província onde fica a cidade, e o movimento do clérigo e líder militante Moqtada al-Sadr.

Uma pessoa próxima do Fadhila alertou na semana passada que o partido poderia suspender as exportações de petróleo do país.Também na terça-feira, Maliki afirmou estar insatisfeito com algumas das políticas adotadas pelas forças britânicas na cidade.

E, segundo o premiê, um elemento complicador eram os estrangeiro