Violação de mulheres leva a 600 mil gravidezes por ano na América Latina

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Publicado terça-feira, 22 de outubro de 2002 as 17:37, por: cdb

O especialista Jefferson Drezett do Ipas – organização internacional especializada em saúde reprodutiva e direito das mulheres – lamentou que somente 50% dos países da América Latina permitam o aborto por violação; além disso, de maneira limitada e às vezes impossível de exercer.

Na plenária sobre anticoncepção de emergência e violência, primeira conferência deste tipo na América Latina, Drezett informou que também é possível prevenir uma infecção de HIV ou de outras doenças sexualmente transmissíveis se, no atendimento de emergência, a paciente também receber retrovirais.

Essas ações de prevenção para mulheres violadas são produto da ciência e do conhecimento, explicou; no entanto, são os governos os responsáveis para colocarem esse sistema em funcionamento.

Falou também que, em muitos países, como Peru, foi aprovada a anticoncepção de emergência, mas que não se promove, não se faz nada para colocar o medicamento nos hospitais públicos.

O especialista sustentou que, somente na cidade de São Paulo, ocorrem 42 mil violações anuais e é possível proteger mais ou menos umas mil mulheres com risco de engravidarem. Igualmente os estudos mostram que mais de duas mil mulheres foram protegidas contra o HIV com retrovirais tomados durante as 72 horas seguintes depois de uma violação sexual.

No Equador, no dia 30 de setembro último, foi aprovado um instrumento para que o Estado abasteça com esses comprimidos os lugares onde são feitas as denúncias. Nesse país, a anticoncepção de emergência é legal e acessível. Falta ainda informação entre a população e as mulheres para que saibam como usar.