Villepin garante: ‘Essa batalha, a levarei até o final’

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Publicado quinta-feira, 6 de abril de 2006 as 12:04, por: cdb

Primeiro-ministro francês, Dominique de Villepin afirmou nesta quinta-feira que pretende “seguir até o final” na batalha contra o desemprego, o que seria “um pedido” do presidente Jacques Chirac.

– O presidente me confiou uma missão: liderar uma batalha pelo emprego. Esta batalha, a levarei até o final. É meu compromisso com os franceses ~ declarou Villepin.

Para Villepin, o polêmico Contrato de Primeiro Emprego (CPE), destinado aos menores de 26 anos, é uma “ferramenta” para responder à situação de um setor da população que enfrenta dificuldades trabalhistas. Dois dias depois de uma grande manifestação que levou mais de 1 milhão às ruas na França para protestar contra o contrato trabalhista incentivado pelo governo, Villepin fez um pedido durante a entrevista coletiva mensal:

– É hora de sair da crise para recuperar a serenidade e a unidade do país.

Ultimato

Villepin disse ainda que os jovens “que olham com inquietação para seu futuro no mercado de trabalho” podem continuar “acreditando no país”.

Na quarta-feira, os sindicatos franceses de trabalhadores e estudantes apresentaram um ultimato ao governo e exigiram a revogação da lei que cria o CPE antes de 17 de abril. Caso contrário, ameaçam aumentar as greves e manifestações. No entanto, Villepin disse que pretende manter um diálogo com os sindicatos para revisar os pontos mais polêmicos do CPE. “Estamos em um tempo de diálogo, estou disposto a escutar e a examinar as propostas apresentadas”.

Prazo

Os sindicatos franceses estabeleceram um prazo até a Páscoa para que o governo revogue a polêmica lei trabalhista que facilita a demissão de jovens no primeiro emprego. De acordo com uma declaração conjunta de sindicados e grupos estudantis, divulgada nesta quarta-feira, o presidente Jacques Chirac tem até o início do recesso da primavera do Parlamento, antes do feriado da Páscoa, para retirar a lei. Caso contrário, os grupos organizarão um novo dia de protestos.

O presidente da Confederação Geral dos Trabalhadores franceses, Bernard Thibault, disse que não vai desistir enquanto a lei, batizada de CPE (Primeiro Contrato de Emprego, na sigla em francês), não for revogada. Representantes das 12 maiores confederações e sindicatos estão reunidos com o governo discutindo a questão.

Protestos

A força dos movimentos estudantis e trabalhistas foi testada na terça-feira, com enormes protestos em mais de 200 cidades em todo o país. De acordo com os sindicatos, mais de 3 milhões de pessoas foram às ruas em toda a França no quinto grande protesto nacional contra a lei. A polícia calcula que o número de manifestantes tenha ficado em torno de 1 milhão. O jornal econômico Les Echos afirma que há uma crescente preocupação com a forma com que o presidente Jacques Chirac e o primeiro-ministro Dominique de Villepin administraram a crise, que começou a afetar a demanda por produtos franceses.

Críticos afirmam que a medida, que permitiria a demissão de pessoas até 26 anos a qualquer momento nos primeiros dois anos de contrato, pode ampliar a insegurança dos trabalhadores e violar direitos que foram duramente alcançados no país.

Mudanças

O presidente ofereceu um pacote de concessões na sexta-feira, ao ratificar o CPE. Ele suspendeu imediatamente a vigência da nova lei, para retorná-la à Assembléia Nacional com as emendas propostas.

Entre as concessões estariam a redução do prazo sem estabilidade de dois para um ano e a obrigatoriedade para empregadores de apresentar razões para demissões. A França, segunda maior economia da zona do euro, sofreu uma onda de protestos em zonas de baixa renda, nos arredores de Paris, no ano passado. A polêmica lei do primeiro emprego foi apresentada pelo governo como parte da solução para o problema de desemprego nestas áreas.