Vieira de Mello ainda não sabe como será trabalho no Iraque

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Publicado quinta-feira, 29 de maio de 2003 as 01:43, por: cdb

O recém-indicado representante da ONU para o Iraque, Sérgio Vieira de Mello, disse em entrevista à BBC que falta clareza por parte dos Estados Unidos sobre qual é a melhor forma de encaminhar o processo político no Iraque.

Vieira de Mello, que espera estar chegando ao Iraque na próxima segunda-feira, disse que ainda é vaga a forma como irá atuar no país.

Essa “falta de clareza”, segundo Vieira de Mello, pode ajudar as Nações Unidas a criar oportunidades para que a ONU defina a melhor forma de atuar nesse processo único e sem precedentes como é o caso do Iraque.

O brasileiro lembrou que a ONU tem experiência suficiente em missões que visam a restauração da lei e da ordem, como aconteceu em Kosovo e no Timor Leste. Vieira Mello teve importantes posições nas duas missões.

Críticas

O representante da ONU para o Iraque disse ainda que está pronto para criticar construtivamente a situação no Iraque todas as vezes que for necessário.

Além disso, segundo Vieira de Mello, o objetivo é criar condições para que autoridade seja devolvida aos iraquianos o mais rápido possível.

– Logo que a lei e a ordem forem restauradas, o que é uma pré-condição para tudo funcione, é preciso restaurar os serviços públicos, porque a população espera água, eletricidade, educação e que os transportes públicos voltem à normalidade.

Vieira de Mello disse que, no momento, o que a ONU tem de melhor a oferecer as forças de coalizão que estão no Iraque é a sua experiência.

– Nós temos muito a oferecer. Você pensa que foi fácil restabelecer a lei e a ordem em Pristina (capital do Kosovo) quando chegamos lá em junho de 1999? Você pensa que foi fácil em Díli (capital do Timor Leste), depois de setembro de 1999? Nós ganhamos muita experiência em termos de levar segurança a população – declarou o representante da ONU para o Iraque.

O brasileiro completou dizendo que vai levar consigo uma pequena equipe, mas muito experiente, que vai estar à disposição, inclusive dos iraquianos que são os principais protagonistas desse processo de reestruturação do país.