Vice-presidente do Iraque quer buscar o diálogo com radicais

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Publicado quarta-feira, 21 de março de 2007 as 11:41, por: cdb

Vice-presidente do Iraque, Tareq al-Hashemi pediu, nesta quarta-feira, a abertura de diálogo com os insurgentes do país em uma tentativa de trazer a paz na região, ocupada pelas forças armadas norte-americanas.

– Eu acredito que não há outro jeito, a não ser conversar com todo mundo – com exceção da Al-Qaeda, afirmou. Segundo Al-Hashemi, os militantes são “apenas parte das comunidades do Iraque”. Muçulmano sunita, o vice-presidente iraquiano já teve uma experiência pessoal com violência. No ano passado, milícias xiitas mataram sua irmã e dois de seus irmãos. Mas ele disse que a única forma de o Iraque avançar é a realização de negociações.

Fora a Al-Qaeda, que al-Hashimi disse “não estar muito desejosa, na verdade, de conversar com ninguém”, todos os partidos “deveriam ser convidados, deveriam ser chamados para sentar em volta de uma mesa para discutir seus temores, suas reservas”.

Sectarismo violento

Acredita-se que exista um grande número de diferentes grupos por trás da violência no Iraque, que mata centenas de pessoas a cada mês. E o leque é amplo: de partidários da sunita Al-Qaeda, que atacam soldados estrangeiros e realizam atentados em mercados xiitas, a milicianos xiitas, que matam civis sunitas e os forçam a abandonar suas casas.

O vice-presidente disse que a infiltração das milícias xiitas nas Forças Armadas “está se tornando uma realidade”, e defendeu um expurgo dessa influência. Al-Hashemi se mostrou inconformado com o reflexo da natureza sectária do conflito sobre o atual governo do Iraque.

– Pode ser que os iraquianos precisem ser convencidos a abandonar essa polarização. Nós temos que ir, primeiramente, para a reforma do sistema eleitoral e em segundo lugar, para eleições antecipadas – previu.

Ações de insurgentes e ataques sectários mataram dezenas de milhares de pessoas no Iraque desde 2003. Recentemente, uma série de atentados com carros-bomba e um ataque de morteiro mataram pelo menos 16 pessoas em Bagdá, no quarto aniversário da invasão do país, liderada pelos Estados Unidos.