Vice do BNDES diz que dólar deve cair para R$ 3 em 2003

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Publicado domingo, 24 de novembro de 2002 as 18:14, por: cdb

Na sessão de encerramento do Fórum Europeu de Empresas Latino-Americanas em Madri, o vice-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), Isaac Zagury, disse que espera uma melhora rápida da economia no início do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, levando o dólar a cair até os R$ 3.

Ele afirmou que a alta do dólar no segundo semestre deste ano foi uma conseqüência da expectativa negativa sobre o processo eleitoral, que teria levado os investidores a tirarem seus recursos do Brasil.

“Algumas empresas brasileiras tiveram dificuldades com seus pagamentos externos e a soma desses fatores levou o Risco Brasil a um patamar inadequado”, disse Zagury.

“Mas com a posse do novo governo, e a confirmação dos princípios de responsabilidade fiscal, de controle da inflação e administração orçamentária, o Risco Brasil cairá para um nível mais adequado e, com isso, o dólar, que deverá ficar em torno de R$ 3”, completou.

Investimentos internacionais

Para o vice-presidente do BNDES, essa cotação do dólar é positiva para todos. Para as empresas brasileiras que mantêm dívidas em moeda estrangeira e precisam do real mais forte e estável, e para atrair os investidores internacionais.

Zagury explicou aos europeus que o momento para investir no Brasil é agora porque o mercado nacional está com preços bem baixos.

“O Brasil está muito barato para os investidores. Com o dólar a R$ 3, o Brasil tem condições de continuar gerando superávits comerciais expressivos”, afirmou Zagury.

“É uma taxa bastante atraente para o exportador, bem razoável para o importador, porque a importação é necessária para o crescimento do país, e também para as empresas nacionais com compromissos em dólar”, completou.

Ele disse que, com a crise e a retirada das linhas de crédito internacionais, o BNDES teve que trabalhar em dobro.

O maior banco de desenvolvimento da América Latina e maior fonte de financiamento das companhias brasileiras supriu a falta de capital estrangeiro e teve que esticar os empréstimos para as pequenas e médias empresas nos últimos meses para evitar quebras.

Mas apesar desse esforço extra, a direção do banco garantiu que os resultados do BNDES continuam positivos. A arrecadação do ano passado foi de US$ 105 bilhões, com US$ 47 bilhões em ativos e ações em mais de 100 companhias brasileiras.

‘País do futuro’

Zagury disse que 405 das 500 empresas mais importantes do mundo investiram ou estão investindo no Brasil e deu como exemplos do desenvolvimento interno as urnas eletrônicas, a produção de petróleo da Petrobrás – que garante 83% do consumo interno – e a Embraer, grande exportadora de aviões comerciais.

Para convencer os investidores, o vice-presidente do BNDES disse também que não há motivos para pensar que o banco terá problemas financeiros com o governo Lula.

Zagury explicou que o BNDES tem um orçamento independente, faz projetos a longo prazo, funciona há 50 anos como estatal que produz superávit e tem diretrizes que não sofrem tanto as variações macroeconômicas como outras instituições.

Alguns desses objetivos para os próximos anos até já estão definidos: o mercado de capitais domésticos que deverá crescer, o apoio às exportações brasileiras para reduzir a dependência externa, e o aumento das linhas de crédito para pequenas e médias empresas, que, segundo o BNDES, geram 90% dos empregos no Brasil.

Sobre a vídeoconferência de quinta-feira, que teve a participação do assessor econômico de Lula, Guido Mantega, Zagury comentou que foi “muito interessante porque passou tranquilidade para os investidores”.

Ele acha que o fórum de Madri foi importante para esclarecer dúvidas, e que vários investidores de toda a Europa estão menos reticentes.

Ministério

“Os investidores tem hoje uma visão muito mais positiva do Brasil do que tinham há um mês. E quando sair o anúncio da nova equipe ministerial, o mercado estará então mais tranquilo”, disse.

“É um processo gradual e os investidores ente