Vestibulandos prestam queixa na delegacia

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Publicado terça-feira, 11 de janeiro de 2005 as 21:15, por: cdb

Os irmãos Cristian e William Norberto Silveira prestaram queixa na Delegacia Para a Criança e o Adolescente (Deca), hoje (11), em Porto Alegre, após serem barrados por policiais na porta da Escola Estadual Professora Leopolda Barnewitz, onde prestariam vestibular para Engenharia Mecânica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). “Fomos abordados por três brigadianos (policiais militares gaúchos), porque não queríamos nos atrasar para a prova. Saímos correndo para a escola e para não perder a prova e eles acharam que éramos bandidos. Quando provamos o contrário e chegamos no portão do colégio, não nos deixaram mais entrar. E aí perdemos o vestibular”, disse William, de 17 anos.

Segundo Cristian, de 24 anos, que já cursa Engenharia na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), em São Leopoldo, também na Região Metropolitana de Porto Alegre, os policiais os confundiram com assaltantes. “Estávamos bem perto do portão e um dos policiais, de arma em punho, disse que faziam aquilo porque geralmente todos dizem que vão fazer vestibular e, na verdade, querem é assaltar os vestibulandos”, disse ele. Os jovens são negros e moram em Alvorada, um dos municípios mais violentos da Grande Porto Alegre.

O pai dos jovens, o engenheiro Norberto Silveira, não acredita que a confusão com seus filhos tenha acontecido por eles serem negros: “Acho que não houve nenhum componente racial na história toda, até porque um dos brigadianos também era negro. O que aconteceu foi prepotência mesmo. Agora, ninguém mais pode correr na rua, pois senão corre o risco de ser preso”, afirmou Norberto, indignado.

O comandante do 9º Batalhão de Polícia Militar admitiu o erro dos policiais. Conforme o tenente-coronel Jones Calixtrato Barreto dos Santos, os soldados agiram de forma errada: “A abordagem foi feita de maneira totalmente equivocada. Os garotos saíram detrás de um lotação que estava com o pisca ligado. E este é o sinal que motoristas usam para avisar que estão sendo assaltados. De qualquer modo, nada justifica a ação dos policiais”.