Vergonha nacional

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Publicado quarta-feira, 29 de outubro de 2003 as 11:57, por: cdb

Nos Estados Unidos, o político nasce republicano e morre republicano. Se troca de partido e se torna democrata, jamais será perdoado pelo eleitor. É assim até no Paraguai e na Argentina, países de eleitorado politizado, onde o oportunismo é tido como incompatível com o exercício da democracia.

No Brasil, mal tomaram posse em fevereiro deste ano e 105 deputados e dez senadores já trocaram de partido até 30 de setembro, fim do prazo de filiação partidária para quem pretende disputar as eleições municipais do ano que vem. No Rio, dos 70 deputados estaduais, 22 mudaram de legenda. Na Câmara Municipal carioca, apenas 18 dos 42 vereadores permaneceram fiéis às legendas pelas quais foram eleitos há três anos.

Tramitam no Congresso algumas iniciativas tendentes a acabar com essa vergonha. Havia a expectativa de o PT comandar esse processo. Depois que assumiu o poder, porém, o medo de perdê-lo venceu essa esperança. A reforma partidária fica para as calendas.

Nesse troca-troca ao sabor de interesses imediatistas, não há orientação doutrinária e filosófica nas agremiações partidárias. Havia, no passado, o PTB de Vargas, a UDN de Carlos Lacerda, o PC do Prestes, o Partido Socialista do João Mangabeira, o PRP de Plínio Salgado. E hoje? O deputado Roberto Jefferson – pasmem! – é o “herdeiro” do trabalhismo de Vargas, o socialite Roberto Amaral administra o espólio do socialismo de Mangabeira, e outro Roberto, o Freire, de hábitos nitidamente burgueses, nº 1 do velho Partidão, é defensor convicto desse espetáculo espúrio de fisiologismo. Haja Robertos…

Com franqueza, há espírito público, convicção doutrinária ou fidelidade partidária no troca-troca de legendas? Respostas à Redação…

‘PERU’
A governadora Rosinha Garotinho esteve ontem com o vice José de Alencar.

Foi pedir apoio para liberação do dinheiro do 13o pelo Governo federal. Estava acompanhada do secretário de Segurança, Anthony Garotinho, que ninguém entendeu o que fazia na reunião.

A PROPÓSITO
Especialista em segurança, o deputado federal Alberto Fraga (DF) comunicou, ontem, seu desligamento do PMDB. Sentiu-se traído pela bancada, que não respeitou suas abalizadas opiniões na votação do Estatuto do Desarmamento.

– O Estatuto aprovado foi encomendado pela Rede Globo de Televisão e bancado pelo líder do partido no Senado, Renan Calheiros (AL) – disparou.

LULALÁ!
Os presidentes Lula da Silva, Néstor Kirchner, da Argentina, e Ricardo Lagos, do Chile, são os líderes mais populares entre as elites e formadores de opinião da América Latina. Na ponta oposta, estão o cubano Fidel Castro, o peruano Alejandro Toledo e o venezuelano Hugo Chávez, segundo pesquisa feita pela Zogby International para a Escola de Administração de Empresas da Universidade de Miami.

LULALÁ – 2
A Zogby ouviu 537 líderes empresariais, políticos, formadores de opinião e figuras do meio acadêmico no Brasil, Argentina, Colômbia, Venezuela, Chile e México, e constatou também forte ceticismo ao projeto de integração no continente.

LULALÁ – 3
No quesito popularidade, com 69%, Lula disparou, seguido por Kirchner (56%) e Lagos (55%). Na lanterna, Castro (25%), Toledo (23%) e Chávez (16%).

Como santo de casa não faz milagre, Lula recebeu taxas de aprovação mais altas dos vizinhos do que dos brasileiros.

BRUXA SOLTA
Começam a ser espalhados pela cidade cartazes chamativos com os dizeres: “Halloween é o cacete! Viva a cultura nacional!”

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GLORIOSO
A convite do Exército, dez deputados foram conhecer o trabalho da força terrestre na Amazônia, visitando os pelotões especiais de fronteira.

Ontem, na tribuna da Câmara, o deputado Henrique Fontana (PT-RS), em nome do grupo, manifestou admiração e orgulho pelo que viu.

SE FOSSE…
Do conhecido ator britânico Hugh Grant, 42 anos, ontem, em Roma, em referência ao seu último filme, uma comédia na qual interpreta u