Vaticano critica prostituição na Copa do Mundo

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Publicado sexta-feira, 9 de junho de 2006 as 10:33, por: cdb

O Vaticano quer dar um cartão vermelho para a prostituição na Alemanha durante a Copa do Mundo, lamentando que milhares de mulheres se arrisquem a degradar-se ao ponto de valerem menos que um ingresso para uma partida de futebol.

O arcebispo Agostino Marchetto, maior especialista do Vaticano em migração, disse que o torneio arrisca permitir a violação dos direitos humanos de muitas das assim chamadas profissionais do sexo e que as autoridades alemãs tinham o dever de agir.

– Usando a linguagem do futebol, acho que cartões vermelhos deveriam ser mostrados a essa indústria, a seus clientes e às autoridades que estão sediando o evento – disse Marchetto na rádio Vaticano.

 Com um milhão de visitantes estrangeiros esperados na Alemanha a partir do dia 9, o provável crescimento da indústria do sexo gerou demanda por mais prostitutas, que poderiam vir principalmente dos países do Leste Europeu, com vários problemas de tráfico.

Profissionais do sexo na Alemanha, onde a prostituição é legal, podem ter seguro de saúde, sindicalizar-se e pagar plano previdenciário.

– A prostituição é uma violação da dignidade da pessoa, reduzindo a pessoa a um objeto e a um instrumento do prazer sexual – disse Marchetto, o segundo homem do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes.

– As mulheres tornam-se mercadorias a se comprar, cujo custo é menor do que o de uma entrada para uma partida de futebol – disse ele.

Marchetto uniu-se a legisladores norte-americanos e europeus que apelaram que as autoridades alemãs se manifestem contra o progressivo tráfico de mulheres que provavelmente acompanhará a Copa.

Espera-se que os proprietários de bordéis e os cafetões da Alemanha aumentem suas atividades e estabeleçam “cabanas do sexo” temporárias. Ativistas dos direitos humanos temem que milhares de mulheres e crianças sejam atraídas de países pobres e forçadas à prostituição para responder à enorme demanda do negócio do sexo.

– Já é horrível que a prostituição seja permitida… mas é ainda pior que mais de 40 mil mulheres entrem no negócio durante a Copa do Mundo e que muitas delas sejam forçadas a exercer essa atividade contra a vontade, sendo objetos de tráfico – disse Marchetto.

– É responsabilidade, portanto, das autoridades alemãs. A bola está no campo deles.