Vaticanistas criticam alterações conservadoras no rito litúrgico

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Publicado quarta-feira, 14 de março de 2007 as 12:14, por: cdb

Vaticanistas italianos repercutiram, nesta quarta-feira, o documento que rege a celebração de missas, divulgado nesta terça, no Vaticano. A medida reforça a face conservadora e rígida do papa Bento XVI. No documento, intitulado Sacramentum Caritatis, o papa reafirma a posição da Igreja sobre o celibato, o matrimônio entre homossexuais e a comunhão de divorciados, confirmando o conservadorismo do atual papado.

– Quando determina novidades, o papa nada mais faz do que voltar ao passado. É um documento muito conservador. O papa não utilizou as recomendações do Sínodo dos Bispos de maneira progressista. Em vez disto, ele foi rigoroso – diz Bruno Bartoloni, vaticanista do jornal Corriere della Sera.

Entre as alterações, o papa propôs um maior uso do latim na igreja, tanto por parte dos padres como pelos fiéis, e dos cantos gregorianos, pedindo que não sejam utilizados gêneros musicais que desrespeitem o sentido da liturgia.

– É necessário que se valorize adequadamente o canto gregoriano como próprio da liturgia romana. É necessário evitar a improvisação genérica ou a introdução de gêneros musicais que não respeitem o sentido da liturgia – diz o documento.

Novos critérios

Com relação à homilia, sermão feito pelo sacerdote no decorrer da missa após a leitura do Antigo e do Novo Testamento, Bento XVI pede que sejam evitados temas genéricos ou abstratos. O papa diz que é “oportuno oferecer, prudentemente, homilias temáticas aos fiéis que tratem, ao longo do ano litúrgico, dos grandes temas da fé cristã”.

No documento, de 140 páginas, consta um veto às penitências e absolvições em grupo e um pedido de moderação no momento da saudação da paz, quando os fiéis se cumprimetam antes de receber a comunhão, limitando o gesto apenas a quem está mais próximo.

– O papa apresenta critérios muito precisos de como quer a sua missa. Ele não rompe com os princípios do Concílio Vaticano 2º. O documento não representa um retorno total ao passado, mas apresenta uma reforma muito rígida – diz o vaticanista Ignazio Ingrao.

Bento XVI defendeu a realização de celebrações eucarísticas em pequenos grupos e a limitação de grandes concelebrações com numerosos padres, que só devem ser realizadas em situações extraordinárias. Na opinião de Ingrao, o papa não quis alterar a posição da Igreja com relação a temas polêmicos e mostrou claramente como é a missa dele, como quer que ela seja celebrada.

Bento XVI não proibiu o acesso à comunhão aos políticos que se dizem católicos, mas votam em leis contra a moral da Igreja. Divorciados que se casaram pela segunda vez, no entanto, não podem comungar. O documento não diz que eles estão proibidos de estar nas missas, mas recomenda que os bispos estejam atentos e vigilantes.

Aos muçulmanos polígamos que se tornam católicos, o papa recomenda que eles abandonem suas mulheres. Em sua exortação apostólica, ele fala sobre a arquitetura sacra, a posição do sacerdote com relação ao altar e o lugar adequado do sacrário (a caixa onde é guardada a eucaristia) após a celebracão, dentro das igrejas.

O papa Bento XVI também propõe mudanças na consagração na tradição italiana e diz como quer que seja feita a saudação de despedida no final da celebração eucarística.