Varig pede ajuda, mas deve parar de voar

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Publicado sábado, 8 de abril de 2006 as 13:48, por: cdb

A Varig conta os minutos para cessar suas atividades. Imersa em um volume de “dívidas impagáveis”, segundo classificação do próprio presidente da companhia, Marcelo Bottini, a empresa enfrenta os credores, que tentam resgatar seus investimentos por meio de uma pressão absoluta sobre os ativos da companhia. A situação chegou ao conhecimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus ministros. A proposta de recuperação da empresa, no entanto, não passa pelo apoio do governo. Em reunião com o ministro da Defesa, Waldir Pires, o presidente da Varig, Marcelo Bottini, informou que há pedido de carência para as dívidas da companhia há mais de uma semana junto fornecedores, sem qualquer resposta prática.

– Falamos da proposta que fizemos aos nossos fornecedores para que pudéssemos criar o que chamamos de uma linha de crédito para a Varig para a baixa estação – explicou Bottini.

A BR Distribuidora, que fornece o querosene para os aviões, a Infraero, à qual a Varig deve o pagamento pela utilização dos aeroportos brasileiros, companhias de leasing e o fundo de pensão Aerus são os principais fornecedores da empresa. Para a BR Distribuidora, a carência pedida foi de dois meses, e de três meses para a Infraero e as companhias de leasing. Nenhum deles, porém, mostrou-se receptivo ao pedido da empresa até o momento.

Outra possibilidade estudada pela companhia é a obtenção de um empréstimo junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mas o presidente da instituição financeira estatal, Demian Fiocca, já avisou que a concessão de uma linha de crédito à companhia aérea vai depender da análise de critérios técnicos, como em qualquer operação de concessão de crédito da instituição.

Ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff é responsável por uma avaliação da situação da empresa para, em breve, apresentar ao presidente da República.

– Essa avaliação deve sair na semana que vem. O governo está utilizando todos os meios para se informar da atual situação da Varig – disse Dilma, ao falar com a imprensa logo após o anúncio, no Palácio do Planalto, do reajuste de 5% sobre os benefícios dos aposentados e pensionistas.

Prudente, a ministra acredita que nenhum consumidor será prejudicado caso a Varig venha de suspender seus vôos.

– A Agencia Nacional de Aviação Civil tem de garantir os vôos, independentemente do que ocorra ou não com a companhia. Isso é uma questão de regulação. Mas eu não acredito que haja nenhum risco da Varig perder vôos a curto prazo, pelo menos até onde eu enxergo – disse a ministra, que usa óculos para a correção de presbiopia, mal mais conhecido como vista cansada.