Varig descarta paralisação de suas atividades

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Publicado quarta-feira, 5 de abril de 2006 as 13:20, por: cdb

A paralisação das atividades da Varig foi descartada, nesta quarta-feira, pelo presidente da Varig, Marcelo Bottini embora ele admita a necessidade urgente de capitalização. O executivo solicitou ao governo uma linha de crédito dos principais fornecedores, Infraero e BR Distribuidora, para aliviar o caixa da empresa até o segundo semestre, quando termina a baixa temporada do setor.

– Esse risco da companhia parar eu descarto sim, sem dúvida, mas precisamos de investidores para dar continuidade ao nosso plano de recuperação – afirmou a jornalistas antes do início da assembléia de credores, que elegeu o Banco Brascan como gestor dos fundos de investimentos do plano de recuperação da endividada companhia aérea.

Para sair da crise que obrigou a empresa a pedir recuperação judicial em junho do ano passado foram criados quatro fundos de investimentos de participação, os Fips, sendo um para arrecadar recursos para o controle da empresa e os outros três com o crédito das três categorias de credores, os trabalhistas, os com garantia e os sem garantia. A idéia é que com o passar do tempo, os créditos sejam transformados em controle da empresa.

Com dívida de mais de US$ 7 bilhões, a maior parte com o governo brasileiro, e “caixa limitado”, segundo o próprio Bottini, a Varig pagou apenas parte dos salários de seus funcionários em março e tenta junto ao governo adiamento de pagamentos de serviços de seus principais fornecedores, Infraero e BR Distribuidora, até pelo menos o segundo semestre. Ele pediu uma audiência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para expor a situação da companhia.

– Nós temos pressa para uma solução, nossa proposta (para o governo) é de uma linha de crédito junto aos fornecedores por alguns meses, com pagamento dessa linha no segundo semestre – disse o executivo.

VarigLog

Bottini também informou que a proposta feita na segunda-feira pelos controladores da VarigLog, de separar a Varig lucrativa da Varig endividada e reduzir a frota de 71 para 48 aviõs, com demissão de 4,6 mil pessoas, vai ser analisada pelos credores. Ele também sinalizou com possibilidade da oferta ser modificada.

– Hoje temos alguns investidores, algumas propostas feitas… ontem (terça-feira) conhecemos a da VarigLog, tem a proposta feita pela Alvares & Marsal, está tudo na mesa, quem vai julgar é o credor – afirmou.

Nesta terça-feira, alguns credores, como os trabalhistas e o fundo de pensão Aerus (sem garantia), declararam, na saída da reunião onde foi apresentada a proposta da VarigLog, que rejeitariam a oferta por ela não prever o pagamento das dívidas.

– É uma proposta de calote – chegou a afirmar à agência inglesa de notícias Reuters a presidente do Sindicato dos Aeronautas, Graziela Baggio, após a reunião.