Várias categorias fazem protestos na Bolívia

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado domingo, 5 de outubro de 2003 as 22:49, por: cdb

Operários, camponeses e plantadores de coca tomaram, há uma semana, cidades e estradas da Bolívia para exigir a renúncia do presidente Gonzalo Sánchez de Lozada, praticamente encurralado em meio à agitação social depois de 15 meses de governo.

– Não vamos atacar os ramos, mas o tronco, (Sánchez de Lozada)- disse hoje o líder dos camponeses aymaras Felipe Quispe, um dos promotores da onda de greves iniciada há três semanas em protesto contra a exportação do gás do país através do Chile, contra a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e por melhores benefícios sociais.

As mobilizações dos aymaras, que há três semanas fecham as rotas andinas de acesso ao Peru e ao Chile, estão reforçadas com a participação dos plantadores de coca de Chapare que planejam bloquear amanhã a principal estrada que cruza o país de leste a oeste.

O líder dos “cocaleros” e deputado socialista Evo Morales, denunciou a suposta intenção de Sánchez de Lozada de golpe de Estado, com o apoio das Forças Armadas.

O Chapare, no centro subandino do país, é considerado um barril de pólvora da luta contra as drogas que, nos últimos 14 anos, custou a vida de pelo menos 200 civis e soldados em choques violentos. Pelo local circulam 80% da carga e da produção nacionais.

Neste domingo já havia sido interrompido o trânsito de passageiros para a cidade de Santa Cruz (leste). Essa cidade, uma das mais ricas do país, a 900 quilômetros a leste de La Paz (oeste), esteve até domingo à margem do conflito.

A associação de empresas de ônibus suspendeu as operações nessa cidade ante o “iminente fechamento” da via neurálgica de 900 quilômetros de comprimento, na altura de Chapare e na previsão de perdas materiais.

Os camponeses de origem guarani em San Julián anunciaram mobilizações, assim como os aymaras da zona andina de Potosí, pobres entre pobres. Medidas semelhantes serão adotadas em uma zona amazônica, ao norte do país, conhecida como Alto Beni.

O panorama da agitação social na Bolívia se completa com o corte de estradas em Los Yungas, vales agrícolas que abastecem La Paz. O deputado socialista da oposição Jerjes Justiniano disse temer o que vai acontecer segunda-feira na Bolívia.

Apesar de Sánchez de Lozada ter confirmado na véspera que não imporá o estado de sítio, seu ministro de Governo, Yerko Kukoc, assegurou que a saída para a crise boliviana, traduzida em mobilizações, passa por uma medida política.