‘Valerioduto’ movimentou R$ 2,6 bilhões

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quarta-feira, 21 de dezembro de 2005 as 16:38, por: cdb

O relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), afirmou nesta quarta-feira que o “valerioduto” movimentou R$ 2,6 bilhões entre os anos de 1997 e 2005 e, segundo ele, houve mais saídas do que entradas de recursos nas contas do empresário Marcos Valério. Ao divulgar o relatório parcial das investigações, Serraglio contou também que houve um crescimento das receitas que circularam no esquema entre os anos de 2001 e 2004. Entre os maiores depositantes do “valerioduto”, o deputado informou que estão o Banco do Brasil (R$ 388 milhões), a Telemig (R$ 122 milhões) e a Visanet (R$ 92 milhões).

Serraglio revelou ainda que o valerioduto tem outras fontes de recursos, além dos empréstimos do Banco Rural e do BMG. Apesar de Valério ter afirmado que disponibilizou, por meio de empréstimos, R$ 55 milhões para pagamentos a partidos políticos, o cruzamento de dados na CPI comprovou apenas a saída de R$ 51 milhões de suas contas.

Segundo Serraglio, alguns cruzamentos de dados indicam que houve desvio de recursos da Visanet, do Banco do Brasil, para o “valerioduto”. O relator aponta que, em muitos casos, a Visanet efetuou, por exemplo, adiantamento de recursos para a DNA, agência de Valério, antes mesmo da prestação de serviços. Alguns desses adiantamentos, segundo Serraglio, estão declarados em notas fiscais falsas, o que foi comprovado pelo Instituto de Criminalística.

De acordo com integrantes da comissão, a Visanet teria depositado R$ 23,3 milhões na conta da DNA Propaganda, empresa de Valério. O depósito, explicaram os parlamentares, ocorreu no dia 19 de maio de 2003, a título de antecipação de lucros. Um dia depois de receber a transferência, a DNA teria investido R$ 23,2 milhões em um dos fundos do Banco do Brasil. Em seguida, no dia 22, a agência teria feito um empréstimo e depositado R$ 9,7 milhões na conta da SMP&B, mais uma empresa de Valério, no Banco Rural. No mesmo dia, a DNA teria transferido outros R$ 9,7 milhões para a conta da SMP&B.

Com o montante na conta, a SMP&B teria contraído no dia 26 de maio de 2003 um empréstimo junto ao Banco Rural no valor de R$ 18,9 milhões. O empréstimo é apresentado por Valério como origem do dinheiro emprestado ao PT. No mesmo dia, a SMP&B transferiu para a DNA R$ 9,7 milhões, cobrindo o empréstimo feito pela empresa. Nessa dança de valores, R$ 9 milhões restaram na conta da SMP&B. Os parlamentares suspeitam que o destino deste dinheiro tenha sido o pagamento do mensalão.