Uma voz na contramão da apuração da verdade

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Publicado sexta-feira, 2 de março de 2012 as 12:17, por: cdb

Até para saber o que pensa o general Luiz Eduardo Rocha Paiva, ex-comandante da Escola de Comando do Estado-Maior do Exército e secretário-geral do Exército, resumimos neste blog o teor da entrevista que ele deu ao O Globo, hoje, na matéria ‘Vamos chamar a presidente (para depor)?’

Seus arrazoados são, no mínimo, insólitos. (Leia mais neste blog). Propõe, por exemplo, que a presidenta Dilma Rousseff deponha na Comissão da Verdade sobre o caso da morte do soldado Mario Kozel, o qual teria sido morto pela VAR-Palmares. Vai além: questiona a versão da presidenta de que teria sido torturada, quando presa durante a ditadura. “Ela diz que foi submetida a torturas. A senhora tem certeza?”, questiona ele a jornalista de O Globo.

O general de pijama não poupa palavras. Diz, sem titubear, o que pensa da Comissão da Verdade. A entidade, antes mesmo de seus membros terem sido nomeados, ou de ter realizado uma única reunião, é taxada pelo militar como “parcial e maniqueísta”. Segundo Rocha Paiva, ao longo dos “anos de luta armada”, eufemismo que usa para se referir à ditadura militar, os dois lados teriam cometidos “desvios”, todos contemplados pela Lei da Anistia.

Simples assim

Assim, raciona Rocha Paiva, o parecer dado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ayres Britto, que reconheceu o direito dos que se sentiram vítimas do regime militar de mover ações civis indenizatórias contra ex-agentes do Estado dá-se “à revelia da Lei da Anistia”.

O maniqueísmo a que se refere o militar, no entanto, tem espaço no seu próprio discurso. Para ele, se os casos de tortura forem investigados, também o deveriam ser os atentados e sequestros de pessoas e de aviões. Simples assim.

Rocha Paiva afirma que “se há alguma coisa a investigar, é só usar a Polícia Federal, e, com vontade política, a presidente tem autoridade para ir até onde ela quiser, respeitada a Lei de Anistia”. Por fim, fecha suas conclusões com uma declaração antológica. “Não vejo por que (as Forças Armadas devam) pedir perdão se não houve nenhuma cisão social remanescente do regime militar.”