Uma luz no fim do túnel

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Publicado quinta-feira, 16 de agosto de 2001 as 15:30, por: cdb

Na última coluna, o foco foi para a pesquisa do IDC – Internacional Data Corporation – que aponta para as conseqüências de curto, médio e longo prazo do racionamento de energia resultante das trapalhadas dos inquilinos do Palácio da Alvorada e da Esplanada dos Ministérios (nos últimos oito anos) no setor de bens e serviços de Tecnologia da Informação.
Mas, a pesquisa também aponta para algumas perspectivas interessantes para alguns segmentos deste setor como o segmento de comércio eletrônico corporativo, também conhecido como B2B (ou business to business), já que o uso da Internet para a realização de negócios pode resultar em reduções expressivas de custos operacionais para as empresas, com a criação de portais para a concretização de transações empresariais via Web.
Na área de Internet, aliás, outro segmento que não está muito preocupado é o de Internet Data Centers que, segundo a pesquisa da IDC, têm registrado um aumento expressivo de clientes, na medida que são capazes de garantirem o funcionamento ininterrupto dos servidores de seus clientes e ainda gerarem economias expressivas para eles, como é o caso da Optiglobe, um dos maiores Internet Data Centers da América Latina, que vem registrando um crescimento de 25% nas vendas de seus serviços devido à crise energética brasileira.
O setor de telecomunicações, apesar da choradeira das operadoras, também foi pouco afetado pela crise. De acordo com a IDC, esta área tem sido impulsionada por dois fatores importantes: a necessidade do cumprimento das metas de universalização e aumento da demanda por serviços de comunicação de dados corporativos (intimamente interligada à necessidade crescente de fazer negócios via Internet para reduzir custos). Dessa forma, os investimentos das operadoras em infra-estrutura, até o final de 2001, devem se manter praticamente no mesmo patamar do ano passado, ou seja, com números em torno dos US$ 9,3 bilhões a US$ 9,6 bilhões nas áreas de telefonia fixa e celular, respectivamente.
No entanto, a pesquisa também emite sinais de alertas bastante claros. De acordo com o gerente de pesquisa nas áreas de Internet e TI da IDC Brasil, Mauro Peres, o País ainda não siu da rota prevista de crescimento, mesmo coma letargia do governo em relação ao problema. Segundo ele, “o Brasil não tem um problema estrutural de energia. Basta adotar políticas para que o investimento – privado, em sua maioria – retire esse obstáculo da frente da economia. Entretanto, se nada for feito, novas hidrelétricas deixarão de ser construídas, o plano de implantação de termoelétricas não sairá do papel (das 49 usinas previstas, apenas uma entrou em operação) e a nação continuará a utilizar apenas 5% da energia oriunda do gasoduto da Bolívia”.